segunda-feira, 30 de maio de 2011

Propostas de estimulação para berçário


 Quatro meses
1) Brincar no colo de serra,serra,serrador, a partir da posição semi sentada, frente a frente com a educadora.
2) A partir da posição lateral, favorecer o rolar, fazendo a criança seguir um objeto.
3) Favorecer o “ nadar a seco”, de barriga para baixo.
4) Sentar no bebê conforto, dar brinquedos para bater.
5) Segurar o chocalho com a mão, para balançar e produzir barulho.
6) Dar mordedor e brinquedos para que a criança possa levar até a boca.
7) Facilitar brincadeiras para usar os dedos das mãos e manipular os objetos.
8) Conversar com o bebê frente a frente, dar um tempo para ele retribuir esta conversa com sorriso.
9) Brincar de esconde , esconde.

Cinco meses
1) Sentar em volta de almofadas, dentro de uma bóia, manter as costas do bebê retas.
2) Segurá-lo pelas pelas axilas e colocar o bebê em pé.
3) Dar brinquedos para que a criança possa segurar com a mão.
4) Brincar com as mãos, com cubos e caixinhas.
5) Rolar usando a toalha como auxílio.
6) Dar mordedor.
7) Dar uma colher na mão para a criança segurá-la, enquanto é alimentada.
8) Estimular a bater palmas.
9) Cantar para o bebê e conversar muito com ele.

Seis meses
1) De bruços flexionar e esticar os cotovelos.
2) Com leve apoio colocar o bebê sentado.
3) Dar um brinquedo para que a criança passe de uma mão para outra.
4) Oferecer um brinquedo para a criança, se estiver segurando um, ela o soltará e pegará o outro brinquedo.
5) Esconder brinquedos embaixo de um pano para que a criança o procure.
6) Colocar uma fralda na cabeça ou se esconder para que a criança ache a mãe.
7) Colocar a criança frente ao espelho e fazer desaparecer.
8) Sentar e brincar de serra-serra.
9) Arrastando-se fazer com que a criança busque brinquedos.

Sete meses
1) Brincar de dentro e fora de uma caixa de papelão ( entrar e sair, sentar, jogar brinquedos dentro e fora, etc).
2) Fazer caretas para o bebê imitar.
3) Dar dois brinquedos para criança bater um no outro.
4) Segurar o bebê em pé, estimular o pula pula.
5) Dar biscoito, frutas para comer com a mão.

Oito meses
1) Colocar o bebê sentado, para brincar.
2) Colocar o bebê sentado de lado, de forma a facilitar passar para a posição sentado sozinho.
3) Colocar brinquedos a sua frente a fim de motivá-lo a alcançar os mesmos.
4) Brincar com caixas grandes de brinquedos.
5) Mostrar para o bebê um brinquedo grande, em seguida esconder atrás das costas, pedir para ele procurar.
6) Dar uma xícara de plástico e uma colher na mão da criança para brincar.
7) Dar argolas grandes para enfiar num cordão.
8) Beijar o bebê e dar o seu rosto para ele beijar

Nove meses
1) Estimular a criança a engatinhar jogando uma bola para ir buscar.
2) Dar um brinquedo com cordinha, para que puxe e levanta.
3) Esconder um brinquedo na mão para que procure.
4) Dar brinquedos com furinhos para enfiar o dedo.
5) Dar biscoito para que tente comer sozinho.
6) Dar potinhos para tentar colocar a tampa.

Dez meses
1) deixar a criança engatinhar livremente.
2) Ensinar a criança a dar “ tchau”.
3) Estimular a criança a falar frente ao espelho.
4) Pedir “ dá um brinquedo”, estender a mão e esperar a criança entregá-lo.
5) Perguntar :“Onde está a mamãe”? “ Onde está o cachorro?”
6) Dar caixas e potes para a criança encher e tirar objetos.

Onze meses
1) Colocar objetos em cima do sofá para a criança alcançar.
2) Jogar bola quando a criança estiver sentada.
3) Deixar a criança encher e tirar uma caixa de brinquedos, para que perceba quando está cheia ou vazia.
4) Dar carrinhos para a criança empurrar.
5) Colocar potes para empilhar.
6) Na hora da refeição dar uma colher para a criança segurar.
7) Deixar a criança brincar na água na hora do banho.

Doze meses
1) Facilitar o andar, segurando a criança pelas mãos.
2) Oferecer diversas caixas, de diversos tamanhos e pedir que encaixe uma dentro da outra.
3) Pegar com os dedos das mãos bolachas picadas.
4) Dar prendedores de roupas para a criança brincar de prender.
5) Deixar que brinque com revistas velhas, pedir que corte e amasse com as mãos.
6) Deixar o bebê tentar comer sozinho, mesmo que derrame a comida.
7) Contar histórias, mostrando figuras.

Orientações didáticas
A música e o movimento devem estar sempre presentes, estimular , cantando sempre, trazendo objetos coloridos e atraentes é uma boa dica.
Tenha uma caixa grande com sucatas, latas,potes etc
Uma outra dica ter uma caixa colorida para a hora da história, nesta caixa ter fantoches, bichinhos de pelúcia, bonecas etc.
Ter carinho e muito amor é o essencial

Síndrome de Down: estimulação e desenvolvimento da fala e linguagem




A Síndrome de Down é causada por uma anomalia genética (trissomia do cromossomo 21). As crianças com Síndrome de Down têm um atraso no desenvolvimento global, que se manifesta também na aquisição da linguagem. O desenvolvimento da fala, bem como de todo o processo de comunicação, depende de vários fatores orgânicos, ambientais e psicológicos, que estão presentes desde os primeiros dias de vida.

O atraso na aquisição da fala e linguagem constitui um dos maiores problemas encontrados pelos pais de crianças com Síndrome de Down. A assistência de um profissional especializado nos problemas de comunicação (fonoaudiólogo) é muito importante para auxiliar a família a verificar as dificuldades da criança e orientar quanto à melhor forma de estimulá-la em casa. De fato, muitos pesquisadores observaram que os cuidados e a estimulação que a criança recebe no ambiente familiar são muito importantes no aprendizado da fala, pois na maior parte do seu tempo a criança está com a família.

Convém salientar que, mesmo com a ajuda de profissionais e estimulação no ambiente familiar, a criança com Síndrome de Down necessita de um período bastante prolongado para comunicar-se com um bom vocabulário e articulação adequada das palavras.



O início da comunicação



            É importante saber que a comunicação não se faz só com palavras, mas também com gestos e expressões afetivas.

            A criança comunica-se com o mundo muito antes de falar. O recém-nascido produz vários sons diferentes que não são considerados como uma linguagem propriamente dita, mas que não deixam de ser formas de comunicação. Essa fase é denominada pré-linguística, ou seja, a fase que vem antes da aquisição da linguagem em si.

            O choro é praticamente o único som que o bebê emite até aproximadamente um mês de idade, juntamente com bocejos, espirros, soluços e murmúrios. Geralmente, o choro tem características diferentes dos outros tipos de desconforto e com o tempo a mãe passa a perceber a diferença. È através do choro que a criança pode “dizer” o que está sentindo e essa é a forma de mostrar aos pais que alguma coisa não está bem.

            Desde que o bebê nasce, necessita de pessoas ao seu lado, para satisfazer suas necessidades físicas e psicológicas. Deve-se conversar muito com o bebê, chamá-lo sempre pelo seu nome e manter bastante contato corporal e visual. Pegue-o no colo, acaricie-o, beije-o, repita os sons que ele fizer, mantenha contato olho a olho.

            O contato de olho e o sorriso também são formas de linguagem usadas pelo bebê. Durante as brincadeiras em que você mantém contato de olho e sorri para ele e ele sorri e olha para você, ele está se comunicando, e este pode ser considerado o primeiro passo no seu desenvolvimento.

            Á medida que a criança se desenvolve, ela começa a responder aos gestos e palavras da mãe e de outras pessoas. Ela pode dar pegar, mostrar e reagir aos objetos e pessoas. Dessa forma, a criança participa do ambiente antes de ter o domino das palavras.







Balbucio



            Com aproximadamente um mês, o bebê passa a emitir alguns sons como, por exemplo, prolongar uma mesma vogal (aaaaaaaaa). Estes sons são notados geralmente em situações de bem-estar, quando a criança não está com fome, sono ou qualquer tipo de desconforto e parece estar brincando com sons.

            Com o passar dos meses, o bebê começa a emitir uma variedade maior de sons, inclusive consoantes. Geralmente ele combina uma vogal com uma consoante e acaba produzindo uma sílaba repetidamente (dadadadada). Esse período é chamado balbucio e é uma fase importante no processo de desenvolvimento da linguagem da criança. Esta é a maneira de praticar o uso de seus lábios, língua e músculos envolvidos na produção da fala, preparando-se para realmente falar mais tarde.

            Assim, quanto mais você conversar com seu bebê, sorrir para ele e prestar atenção no momento em que ele está vocalizando, provavelmente ele balbuciará mais.

            Nessa fase, o bebê ainda não entende as palavras que ouve. Ele começa a prestar atenção e a interpretar os tons de voz e a intensidade. Ele começa a conhecer que você grita quando está nervosa e que usa uma voz calma e suave, quando está alegre e calma. Ele repete, balbuciando, o tom da fala que ouve à sua volta.

            O bebê com Síndrome de Down parecem ser menos responsivos para as palavras ditas pela mãe, assim como para estimulações não-verbais, como sorrisos, caretas, gestos. Normalmente eles sorriem e vocalizam menos do que os outros bebês. Apesar disso, você deve agir normalmente, conversando bastante com ele, respondendo aos sons que ele fizer como se fosse uma conversa em que cada um tem a sua vez, relacionando essa “conversa” à rotina do bebê (alimentação, banho, trocas de fralda, passeios).

            Faça exercícios de estimulação auditiva, ou seja, incentive a criança a prestar atenção nos diferentes tipos de som. Chame sua atenção para os barulhos de casa, como: os do relógio, do telefone, de animais, do trânsito na rua, avião; faça na sua frente sons diferentes com chocalho, feijão dentro de uma lata, sino etc.

             Quando o bebê estiver com aproximadamente dez meses, você pode começar a estimulá-lo a estalar a língua imitando o trote do cavalo, vibrar os lábios imitando o barulho do carro, jogar beijo fazendo bico com os lábios, assoprar penas, bolinhas de isopor, apito, corneta e, mais tarde, bexiga.



Gestos



            Antes de o bebê começar a falar as primeiras palavras, ele usa bastante comunicação não-verbal para fazer com que outra pessoa entenda o que ele quer. Você poderá começar a interpretar a expressão de seu rosto, que pode mostrar surpresa, felicidade, curiosidade tipos de choro (de fome, de medo etc). Depois, ele passa a utilizar alguns gestos específicos, tais como acenar para dizer “tchau”, apontar para dizer “olhe” ou “o que, é aquilo”, estender os braços para dizer “me pegue no colo” etc. O uso desses gestos se desenvolverá lentamente, muitas vezes em conseqüência de imitação de ações dos adultos.

            È bom lembrar que os gestos poderão ser usados pelos pais para ajudar a criança a entender e a usar a linguagem falada, ou seja, eles funcionam como um auxílio, um apoio e não como meio de substituir a fala.

            Os gestos permitem que a criança se comunique antes de conseguir falar, mas você deve falar sempre. Ajude-a a tentar dar respostas verbais. Os gestos devem ser usados sempre acompanhados de fala e você pode começar a introduzi-los antes de um ano. Os primeiros gestos (sinais) podem ser relacionados às palavras que são mais significantes para uma criança pequena, tais como os membros da família, as coisas relacionadas ao dia-a-dia, como “comer”, “beber”, “dormir” etc.



As primeiras palavras



            A partir de situações da fase pré-linguística, dos gestos, aos poucos a criança começa a entender o significado da fala.

            Para aprender a falar, a criança tem que perceber todos os sons feitos pelos adultos e o significado de cada palavra. Assim, as palavras que ela ouve mais frequentemente serão as que ela entenderá primeiro. Estas palavras geralmente são nomes de pessoas, brinquedos e objetos que são importantes na sua vida diária.

            Nessa fase onde a criança se comunica através de uma palavra, é importante lembrar que no início ela usa a palavra simplesmente para dar nome aos objetos, mas depois passa a usar palavras únicas, querendo transmitir o significado de toda uma sentença.

            Nota-se diferença entre as crianças com relação ao número de palavras únicas que elas possuem e quanto ao período de tempo que elas levam para começar a juntar duas palavras.



Juntando duas palavras e formando sentenças



            Depois que a criança passa pela fase de se comunicar através de uma única palavra, ela começa a juntar duas palavras. Por exemplo, sapato – nenê, mais – água, caiu – chão etc.; porém é difícil dizer a época em que isso vai ocorrer.

            Após essa fase, que é variável de criança para criança, ela começa a usar sentenças maiores, usado três, quatro e mais palavras. È nessa fase o domínio da linguagem vai se tornando mais difícil para a criança com Síndrome de Down. As dificuldades com a construção de sentenças e com uso de regras gramaticais vão aumentando. Geralmente, ela entende muitos tipos se sentenças interrogativas ou negativas, mas não consegue construí-las sozinha.



Ela compreende muito mais do que é capaz de produzir



            Algumas pesquisas mostram que a criança pode falar mais fácil e claramente, quando ela imita palavras que acabaram de ser ditas por uma outra pessoa, do que quando ela própria tem que lembrar as palavras para dizer o que quer. Por exemplo, a criança pode conhecer o nome de vários objetos e até ser capaz de dizê-los quando alguém pergunta, mas quando ela precisa se comunicar usando determinado nome dentro da frase, a dificuldade aparece.

            É preciso considerar também que a criança apresenta problemas articulatórios, ou seja, falar corretamente palavras é uma dificuldade para a maioria das crianças com Síndrome de Down. Então, falar em sentenças, mesmo curtas, é mais difícil do que usar palavras soltas, já que seu problema articulatório aumenta quando está emitindo sentenças.

            Por isso, é importante que você fale devagar, repita as palavras e frases que ela disser errado, para que ela ouça a pronúncia correta.

            Depois, estimule a criança a repetir mais lenta e claramente essas palavras e frases, sem forçá-la, sem fazer disso uma tarefa cansativa.



Facilitando a comunicação



            Você pode ajudar muito a criança usando o que chamamos de fala descritiva, ou seja, descrevendo o que a criança está fazendo ou olhando naquele momento. Dessa forma, a criança começa a compreender o significado da palavra mais facilmente, pois a situação de aprendizado é concreta e está relacionada a algo real. Faça com que a fala fique centralizada nela, isto é, fale sobre o que ela quer fazer ou está fazendo.

            Durante todo o dia você tem muitas oportunidades para estimular a linguagem da criança, depois numa boneca, numa figura de revista, numa fotografia etc. É importante ensinar uma coisa de cada vez e só passar para a seguinte quando a criança já tiver aprendido o que foi ensinado. Nas refeições, ensine o nome dos alimentos, se são duros ou moles, se estão quentes ou frios. Quando estiver vestindo a criança, nomeie as roupas para ela. Por exemplo: “Agora vamos colocar a blusa vermelha”, diga se a roupa é para o frio ou para o calor. È importante ensinar esses conceitos para a criança o mais naturalmente possível, sem cobranças, sem obrigar a criança a repetir tudo o que está sendo falado. A hora do banho, da alimentação, do vestir-se, devem ser momentos agradáveis, tranqüilos, de troca afetiva entre a mãe e a criança e não momentos de cobrança.

            Para ensinar nomes de objetos, você pode pegar uma caixa grande e enche-la de objetos comuns, como copo, chave, bola,carrinho etc. e ir aumentando o número de objetos à medida que a criança já conhece, sabe como usar cada um deles e tenta dizer o nome dos anteriores.

            Uma atividade muito importante e que oferece muitas oportunidades para que a criança entenda e use linguagem é brincar com ela (de casinha, de carrinho etc), onde a linguagem usada é depois transferida para a vida diária. Você pode usar brinquedos ou os próprios objetos inquebráveis de sua casa e ir dividindo a brincadeira em partes: hora do banho, hora da refeição, hora da limpeza etc.

            Procure usar uma linguagem simples, palavras fáceis e curtas no início, depois acrescente verbos (comer, dormir, lavar etc.), palavras mais longas, conceitos como dentro, fora, em cima/embaixo e palavras de uso cotidiano como oi, tchau, mais etc.

            A aprendizagem fica facilitada e a criança é capaz de memorizar mais facilmente, quando ela pode ver o objeto ao qual está se referindo. Assim, se for ensinar “molhado”, coloque a mão da criança sobre um objeto molhado e um seco. Sempre que for ensinar adjetivos, ensine-os por contraste, assim: seco/molhado, alto/baixo, forte/fraco, gordo/magro. Não esqueça que a criança precisa ter tido muita experiência com o que está sendo ensinado, para depois ser incentivada a nomear.

            Os pais poderão aproveitar as brincadeiras para falarem na primeira pessoa do singular, ou seja, usarem expressões como eu quero, eu comi, eu vou. Geralmente os pais, amigos e professores estão estimando o uso da terceira pessoa do singular ao falarem com a criança: você pode, Pedro comeu tudo, nenê vai e a criança responde “quer” em vez de “quero”, “comeu” em vez de “comi” e “vai” em vez de “vou”.

            Mais importante do que a criança repetir palavras e saber nomear vários objetos, é conhecê-los bem, saber para que servem, observar as diferenças que existem entre um e outro. Isso só é conseguido quando a criança tem oportunidade de explorar os objetos, manuseá-los, aprendendo, assim, através de coisas reais e concretas. Por isso é bom levá-la à feira, ao supermercado, jardim zoológico, passeios etc, para que ela possa vivenciar cada uma dessas experiências.

            Evite falar com a criança colocando as palavras no diminutivo. Isso prejudica a discriminação e piora a inteligibilidade. As palavras devem ser ditas inteiras à criança e não separadas em sílabas (como, por exemplo, ta-pe-te) achando que isso facilita a compreensão. Ao contrário, isso dificulta a aprendizagem.

            É importante não corrigir a fala da criança e sim devolver o modelo correto. Por exemplo: se ela diz “qué chupa lalanza”, você não deve dizer “não é lalanza que se fala, é laranja”. Isso pode intimidar a criança e ela pode passar a não falar determinadas palavras. Então, responda assim: “Ah, você quer chupar laranja? Eu vou pegar a laranja”, para que ela perceba e escute a pronúncia correta da palavra, mesmo que não seja capaz de emitir corretamente. Os pais devem reforçar a criança quanto à pronúncia correta das palavras, quando ela já tem consciência dessa pronúncia.

            Quando a criança emprega poucas palavras para expressar uma frase, como por exemplo: “água”, significando “eu quero água” ou “água caiu”, você pode expandir a fala dela de acordo com o significado daquele momento. Se perceber que ela está querendo água, dia “Você quer tomar água?”. Se ela derrubou a água: “A água caiu no chão?”. Fazendo isso você está permitindo que a criança perceba as formas mais complexas da linguagem. Depois, ela aprenderá a juntar outras palavras para formar a sentença.

            Procure não subestimar ou valorizar demais a capacidade da criança, utilizando uma linguagem adequada ao seu nível de compreensão. Assim, você poderá lhe proporcionar melhores condições de aproveitar o que é ensinado. Evite completar a frase que a criança irá dizer, antes que ela tente colocar todo seu pensamento em palavras.

            Leia histórias infantis, para a criança aumentar seu vocabulário.

            Procure ler à noite, antes que ela vá para a cama, pois se ela estiver interessada em outra atividade, a leitura não será estimulante.

            Use sempre histórias simples, livros com ilustrações grandes e coloridas e texto pequeno em cada página. Fale sobre a gravura, mostre os detalhes enquanto lê, deixe-a identificar figuras de objetos e animais que ela conhece.

            Cante músicas infantis para ela. Se possível, obtenha discos infantis, mas dê somente um de cada vez, para que ela se acostume e se familiarize bastante com cada um.



A discriminação auditiva dos sons da fala



            Muitas crianças com Síndrome de Down apresentam trocas na fala, como: b por p, d por t, v por f, g por c. Como esses sons são parecidos, desde cedo é necessário um trabalho de discriminação auditiva. Os pais devem mostrar para a criança que esses sons são diferentes, falando-os em oposição em sílabas e início de palavras.

            Por exemplo: pato x bato, tia x dia, faca x vaca. É importante criança discriminar e falar esses sons (b, d, g, v), pois mais tarde essas trocas na fala também aparecerão na escrita, dificultando a alfabetização.

            É necessário lembrar que crianças com Síndrome de Down na mesma idade podem estar em níveis diferentes na aquisição da fala. A orientação do fonoaudiólogo é fundamental na escolha dos sons que deverão ser estimulados primeiro. Com esse auxílio os pais não perderão tempo solicitando da criança sons muito difíceis, que ainda não podem ser emitidos por ela. Além disso, os pais também podem ser orientados quanto às variações aceitáveis, de acordo com o desenvolvimento da criança.



A importância da alimentação no desenvolvimento da fala



            Os órgãos que usamos para comer são os mesmos que usamos para falar: lábios, língua, dentes, palato, etc. Por isso, a alimentação tem um papel importante no desenvolvimento da fala. Através dela podemos exercitar e estimular a musculatura da boca e da face, que participa da produção dos fonemas(sons) que vão formar as palavras.

            Assim, desde quando o bebê suga o seio materno ou a mamadeira (com furo pequeno no bico ortodôntico) os músculos estão sendo exercitados para a fala. O bico ortodôntico é o ideal, pois permite que o aleitamento artificial (mamadeira) fique mais parecido com aleitamento natural (seio) em relação ao formato do bico e força de sucção (figura 1), ou seja, a força que o bebê precisa fazer para sugar o leite. Por isso, não deve-se aumentar o furo do bico para facilitar a sucção – o bebê precisa fazer força para exercitar a musculatura.






            É necessário ter cuidado especial com alimentação da criança, não somente com o aspecto nutritivo, como também com o aspecto nutritivo, como também com a consistência dos alimentos. Varie bastante a alimentação quanto à textura, sabor e temperatura. Quando chegar a época de introduzir a papinha (por volta dos seis meses) ao invés de bater os legumes no liquidificador, passe-os por uma peneira fina.

            Antes de aparecerem os primeiros dentes, você já deve oferecer pedaços sólidos de alimentos à criança, como bolacha, pão, banana, queijo etc, e colocá-los na mão dela. Quando aparecerem os primeiros dentes, ao invés de dar frutas raspadas, como maçã, por exemplo, dê um pedaço grande da fruta à criança, incentivando-a a morder e mastigar.

            Por volta de seis ou oito meses, a sopa deve perder seu aspecto líquido e conter pequenos pedaços de alimentos: a verdura (crua ou cozida) deve ser picada, as raízes e legumes ligeiramente amassados, a carne, desfiada ou moída, o ovo cozido em pequenos pedaços de alimentos do prato com as mãos, se ela assim o desejar.

            Ao dar o alimento para a criança, use uma colher e pressione a ponta da língua para baixo e para trás (a colher deve entrar sempre de frente) e faça com que a criança tire o alimento da colher com o lábio superior. A criança deve ficar com a língua dentro da boca, quando a mãe ou ela própria colocar a colher (figura 2). É comum a criança jogar a cabeça para trás quando a mãe dá o alimento. Se isso acontecer, segure firmemente a cabeça da criança, colocando sua mão bem acima da nuca, impedindo o movimento.


            A partir dos noves meses, você pode tentar introduzir o canudinho para tomar líquido no copo. Para facilitar, no início coloque pouco líquido, use canudo curto e vire um pouco o copo para o líquido sair mais facilmente. O uso do canudinho para a ingestão de líquido ou mesmo de alimentos mais pastosos (como gelatina, vitamina de frutas) é um bom exercício para a musculatura da boca e face.

            Aos poucos, procure ir retirando a mamadeira e introduza o uso de copo. No início, a mãe deve ajudar a criança a usar o copo corretamente (não colocando o copo em cima da língua e sim sobre o lábio inferior) e com o tempo ir diminuindo essa ajuda (figura 3). Sempre que puder use canudo, mesmo que a criança saiba usar o copo.


            Por volta de um ano a um ano e meio, deixe a criança usar a colher sozinha, ajudando-a apenas no movimento de pegar o alimento do prato e levá-lo à boca. Ela poderá derrubar os alimentos da colher, mas deixe-a tentar. Diminua a ajuda gradativamente. O prato da criança deve ser de material resistente, de borda alta e deve ficar bem seguro na mesa. Nessa fase, se oferecer chocolate, bala ou banana, deixe a própria criança tirar o papel dos doces e descasar a fruta.

            Entretanto, não esqueça que as crianças com Síndrome de Down têm tendência a adquirir peso facilmente. Por isso, não se deve dar-lhes doces em excesso.

            Com a primeira dentição completa por volta dos dois anos, a criança deverá comer alimentos mais duros como carne (bife) ou cenoura pouco cozida, para exercitar a mordida e a mastigação. Os pais poderão estimular a lateralização da mastigação, colocando pedaços de alimentos consistentes entre os dentes laterais e estimular a mastigação do lado direito e esquerdo, um de cada vez.

            É importante que a criança não engula logo o alimento; brinque com ela de comer salgadinhos fazendo barulho como os dentes laterais por bastante tempo.

            Em relação à deglutição, os pais podem ensinar a criança a fechar a boca quando engolir o alimento, sem projetar a língua para fora.

            Para a refeição não se tornar cansativa, a mãe deverá incentivá-la a engolir com a boca fechada somente na primeira “colherada” ou “garfada”, depois deixá-la comer livremente. Você poderá no início de refeição espirrar água, suco ou refrigerante com uma bisnaga na boca criança (com a língua dentro da boca e embaixo) e depois pedir para fechar a boca e engolir. As crianças gostam dessa “brincadeira” com a bisnaga, que propicia uma deglutição correta.

            É importante para o desenvolvimento da fala e linguagem que a criança participe das refeições com a família. Assim ela tem oportunidade de escutar o que está se conversando e até participar, quando já souber falar. Por isso, use uma linguagem clara e converse de assuntos que a criança conheça e se interesse.



As principais dificuldades da fala



            Notou-se que em alguns aspectos do desenvolvimento da fala, a criança com Síndrome de Down é semelhante às outras crianças, atingindo seu potencial um pouco mais tarde.

            Geralmente, o aparecimento da fala compreensível ocorre por volta dos dois anos. Por volta dos três anos, a criança começa a combinar as palavras para formar pequenas frases, e mais tarde é capaz de organizar essas frases em trechos maiores. Mesmo quando há um bom domínio da linguagem, ainda persistem dificuldades, quando é necessário um nível de abstração mais elevado do diálogo.

            Crianças com Síndrome de Down têm um desenvolvimento variado e é grande a diferença em relação à linguagem. Geralmente esse desenvolvimento é lento.

            Muitos processos complicados no cérebro estão envolvidos na habilidade para falar. Se o cérebro não trabalha corretamente, aprender a falar torna-se uma tarefa muito difícil.

            Crianças com Síndrome de Down podem ter algumas características que as predispõem às dificuldades na fala:

■ Hipotonia: a flacidez dos músculos faz com que haja um desequilíbrio de força nos músculos da boca e face, ocasionando alterações na arcada dentária, projeção do maxilar inferior e posição inadequada da língua e lábios – com a boca aberta e a língua para fora. A criança respira pela boca, o que acaba alterando a forma do palato (céu da boca). Esses fatores, dentre outros, fazem com que os movimentos fiquem mal coordenados e a articulação dos fonemas fique imprecisa e prejudicada.

■ Suscetibilidade às infecções respiratórias: essas infecções levam a criança a respirar pela boca, aumentando a dificuldade para articular os sons.

■ Pouca memorização de seqüência de movimentos: a dificuldade para aprender seqüência de movimentos faz com que as crianças com Síndrome de Down pronunciem a mesma palavra de vários modos diferentes. Cada vez que dizem uma palavra é como se a estivesse falando pela primeira vez.



BIBLIOGRAFIA



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Sugestões de Estimulação de Linguagem


Sugestões de Estimulação de Linguagem


• Converse com a criança desde o nascimento, especialmente enquanto a alimenta. Á medida que esta cresce, acrescente informações, de acordo com os seus interesses e compreensão (exº: a respeito dos alimentos, diga-lhe os nomes, como são confeccionados, etc.);

• Aproveite situações como o banho ou a troca de roupa para nomear as partes do corpo e as peças de roupa; pode sugerir à criança que lave determinada parte do corpo ou que pegue numa peça de roupa, sempre à medida da sua aceitação e compreensão;

• Utilize situações de passeio para falar sobre objectos e situações que vão acontecendo, não só dizendo os seus nomes, mas fazendo comentários ( exº: para que serve determinado objecto; a consequência de uma determinada acção);

• Ao fazer compras na companhia da criança, converse sobre os produtos e aproveite para ouvir o que a criança tem a dizer sobre o assunto. É importante que ela faça parte da conversa, que não seja só ouvinte;

• Ao cozinhar ou realizar outras actividades do dia-a-dia, converse com a criança sobre o que está a fazer e pergunte a opinião dela;


• Converse com a criança, antes de sair, sobre onde irão, o nome do local, porque irão visitá-lo, enfim, aproveite o tema para estabelecer diálogo com seu filho. Isso deve ser feito de forma agradável e significativa para ambos, a criança deve ter o maior prazer em comunicar;

• Cante com seu filho, relembre músicas infantis e alterne trechos em que cada um canta uma parte;

• Leia para a criança com frequência, desde muito cedo, aumentando o tempo de leitura de forma gradual. Respeite o seu limite de atenção, utilize livros e outros materiais apropriados para cada faixa etária. Com este hábito, desenvolve-se não só a linguagem oral (falada), mas também é estimulado o interesse pela linguagem escrita.

domingo, 29 de maio de 2011

Estimulação precoce.

 





1. INTRODUÇÃO

A estimulação precoce se dá na iniciativa de preparar a criança de 0 á 24 meses à desenvolver os sentidos do seu próprio corpo,preparando-la para dominar suas posições, tonificando-lhe a musculatura, norteando-a para o caminho de conhecer e fazer desabrochar acompanhando cada etapa da sua vida.
Com gestos do quotidiano, como carregá-la, dar banho, comida, vestir-se, seja uma maneira de aproveitar essas situações de uma forma lúdica o desenvolvimento psicomotor, e aproveitando para descobrir seu próprio corpo.

2. ESTIMULAÇÃO PRECOCE

Consiste no acompanhamento da criança e de seus pais, seguindo regularmente o desenvolvimento psico-afetivo-social deste bebê e sua família, acreditando que este oferecerá suporte para um melhor desenvolvimento da criança. Busca-se com isto abrir um novo campo de comunicação entre os pais e seu filho, campo este interrompido pelas dificuldades impostas pelo próprio diagnóstico. Os pais através deste trabalho irão descobrir que sabem mais do que supunham sobre seu filho.
A estimulação precoce deverá ser iniciada a partir do momento em que a criança for diagnosticada como bebê de risco ou portador de atraso no desenvolvimento, onde serão estimuladas as percepções sensoriais, os movimentos normais, o rolo, o sentar, o engatinhar, a deambulação, a coordenação visual e motora, a socialização e a cognição. Como também pode ser trabalhados em crianças sem atraso no seu desenvolvimento motor.
Essa educação motora contribui não só apenas para prevenir deformações, corrigir a má postura e consolidar as aquisições motoras, mas é também um extraordinário fator de equilíbrio da criança, onde ela torna-se calma, e dá o que a criança mais busca num meio desconhecido: segurança.
As atividades motoras concorrem para o desenvolvimento do cérebro e são indispensáveis á organização do sistema nervoso, a ausência de estímulos acarreta a perda definitiva de funções inatas, o trabalho de desenvolvimento se dá num clima de descontração, brincadeiras e de segurança, aproveitando todas as ocasiões para dar-lhe os meios de progredir e adquirir autonomia.
Com muito carinho e espontaneidade prepara-se a criança a conhecer e dominar seu próprio corpo, como ensiná-la a posição de sentada, tonificando-lhe a musculatura, para posteriormente a conquista da posição de pé, fazendo com que ela perceba o papel e o apoio dos pés, para andar facilitando-lhe a busca de equilíbrio. Essa adaptação a seu ritmo e personalidade favorecem o seu desabrochar, de deixá-la á vontade no próprio corpo, de “acompanhar” num certo sentido o seu desenvolvimento.
Essa modificação tão mínima e fundamental na educação da criança vai fazer com que ela se torne uma criança sem traumas, centrada, e vai enriquecer cada vez mais a relação mãe-filho. São pequenas tarefas do dia-a-dia que fazem diferença, como trocá-la, dar-lhe banho, comida, brincadeirinhas... E é nessas situações que se deve aproveitar para estimular e suscitar a atividade espontânea da criança, explicando-lhe, apelando sua participação, procurando não perturbar sua atividade espontânea, dando-lhe tempo para mudar de posição, prolongando os movimentos que ela esboça, deixando-a explorar e descobrir o seu mais novo e bonito brinquedo: o próprio corpo.
São baseados nesses fatos que são divididos quatro períodos de desenvolvimento, cujas idades cronológicas são indicações aproximadas. A cada tipo de criança corresponde um perfil de evolução e variedades de movimentos.


3. PRIMEIRA FASE: 0 – 3 MESES.

Durante esse período, a vida do recém-nascido é ritmada pelo sono e pela alimentação, ritmo que deve ser respeitado.
Desde esta idade a personalidade da cada um se revela. Alguns são muitos vivos ( hipertônicos ), outros de reação lenta ( hipotônicos ), mas todos têm necessidade de carícias, de palavras ternas, de estímulos, de movimento.
Nessa idade o corpo do bebê é mais rígido, com braços e pernas dobrados, punhos cerrados, depois dos movimentos de descontração global e analítica, os membros e o corpo conseguirão relaxar-se. A mão do pai é extremamente tranqüilizante, a criança dorme melhor e chora menos. Segue alguns exemplos de exercícios para membros superiores e inferiores.

Sugestões de exercícios:
· Virar e revirar a criança toda vez que for trocá-la. (induz movimento global)
· Um móbile brilhante acima da cama, um chocalho sonoro
· ( brinquedos ajudam a estimular)
· E evitar movimentos bruscos os gestos devem ser suaves, sustentar-lhe a cabeça, servir-se do movimento esboçado pela criança para continuá-lo na mesma direção.
· Colocar a criança nua de costas, sobre uma bola não muito cheia, com finalidade de Distensão corporal, aguça o tato, e evita o sentimento de insegurança.
· Deitar a criança de costas no chão, para obter a abertura da mão através da descontração do ombro, e tomar consciência do corpo, obter a extensão completa dos braços.
· Ainda deitada de costas no chão ou mesa, pode-se fazer o alongamento das pernas, tornando-o mais flexíveis e mais longos os músculos das pernas.
· O jogo do rolo ajuda a criança a sustentar a bacia ligeiramente, como também libertam seus braços.


4. SEGUNDA FASE: 3 – 6 MESES.

As reações ao mundo exterior são ativas: o bebê vira a cabeça quando ouve barulho, usa os reflexos de equilíbrio, orienta-se no espaço, brinca com o corpo e depois olha a mão, em breve chegará á coordenação entre olhar e preensão.
A contração do corpo diminui, sendo substituída por uma maior tonicidade da nuca e do tronco. A passagem de uma fase para outra deve ser feita progressivamente e pode ser prosseguida além dos três meses se a criança continuar hipertônica. Nessa fase é importante tonificar os músculos para preparar para posição de sentar e devem continuar os movimentos globais.

Sugestões de exercícios:
· Usar uma grande bola de praia facilita a busca de equilíbrio.
· Na hora do banho, deixar a criança á vontade, lavar cada parte do corpo dizendo como se chama utilizando gestos.
· O espaço deve permitir a atividade motora da criança.
· Segurar a criança pelos joelhos com uma mão e pelo peito com a outra, para reforçar os músculos da nuca e costas para a preparação do engatinhar e desenvolver sua amplitude respiratória.
· A utilização do rolo também prepara para engatinhar, estimulando músculos dos braços e das costas.
· Deitar a criança de costas com as pernas esticadas, com a finalidade de reforçar a musculatura abdominal.


5. TERCEIRA FASE: 6 – 12 MESES.

A criança pode servir-se dos brinquedos, pegá-los, a preensão está adquirida e ela participa desses movimentos ativamente. Reconhece o meio onde se encontra e sabe distinguir as pessoas a seu redor, toma consciência de si e dos outros. É o período em que é preciso responder a essa angústia transmitindo segurança á criança no seu próprio corpo.

Sugestões de exercícios:
· Brincar com bolas de cores e tamanhos diferentes.
· Brincadeiras com cubos;
· Baldinhos para encher de areia no jardim;
· Copinhos para encher de arroz em casa;
· Brinquedos de empurrar e puxar;
· Fantoches;
· Livros com figuras;
O espaço deve corresponder á curiosidade e ás possibilidades da criança.


6. QUARTA FASE: 9 – 15 MESES (e além)
Esta é a idade em que a criança experimenta de fato o prazer que lhe proporciona a atividade motora. Ela tem vontade de alcançar tudo, e agarrar tudo. Mas para ela continuar progredindo precisa da presença carinhosa, estimulante e tranqüilizadora do pai e da mãe, é a idade do prazer compartilhado.

Sugestões de exercícios:
· Os movimentos globais serão jogos que precisam da adesão total da criança.
· Objetos como bastões, arco, o carrinho, permitem a criança libertar-se da mão do adulto.
· Subir no escorregador, escadas, descer degraus, cair, levantar-se.
· Colocar a criança de quatro, facilita a independência do tronco com relação as penas.
· Primeiro passo: deixá-la sentir essa sensação de ficar em pé pela primeira vez,saber esperar o momento certo em que a criança entende, descobre e adquire.

Le Boulch (1982) salienta que os movimentos espontâneos, mesmo não sendo pensados, dependem das experiências vividas anteriormente, não se trata de uma memória intelectual, mas sim de uma verdadeira memória corporal, toda ela carregada de afeto e orientada por ele. O corpo não está simplesmente dotado de eficácia, ele está presente no mundo como uma unidade fundamentalmente original, como “corpo próprio”.


7. CONCLUSÃO:

Os pais, os profissionais, exercem uma influência ímpar no desenvolvimento da criança.
A estimulação basicamente feita com brincadeiras faz com que a criança conheça a si e ao espaço que vive, reconhecendo objetos, meio e pessoas, contribuindo com algo essencial para seu desenvolvimento físico, afetivo e intelectual.
Certamente feito todo esse processo, juntamente com afeto, paciência e respeitando os limites da criança, a mesma crescerá tornando-se uma pessoa equilibrada, calam, antecipando suas reações, sorrisos, e retribuindo com gestos a cada dia, levando esse conhecimento pro resto da vida.

Tenha Bons Amigos

Somente quem ama consegue descobrir os pontos positivos do outro. Descobrir é “fazer surgir concretamente”. Portanto, somente aquele que tem afeto sincero pelo amigo consegue fazer surgir concretamente os pontos positivos dele. Num mundo em que ninguém se importa com ninguém, e as pessoas não se amam nem se elogiam mutuamente, não se desenvolvem as qualidades nem surge a felicidade. Para poder desenvolver as qualidades e alcançar a felicidade, as pessoas precisam formar grupos de bons amigos.
Se alguém não consegue ter amigos, é porque tem a postura mental errada: espera que os outros o amem e lhe proporcionem algo bom, mas ele próprio não toma a iniciativa de fazer algo bom para os outros, de expressar o afeto, e pensa que somente quando os outros tomarem a iniciativa deve procurar corresponder à demonstração de amizade. Permanecendo nessa atitude passiva, sem tomar nenhuma iniciativa, não conseguirá criar algo valioso nesta vida nem concretizar a própria felicidade.
Somente quem ama é amado, somente quem se doa merece doação, somente quem cria algo valioso pode desfrutar coisas boas e preciosas. Se você deseja receber amor, deve tomar a iniciativa de cultivar o amor. Antes de mais nada, precisa se tornar uma pessoa cativante. O amor é uma grande força que cativa e magnetiza. Aquele que é capaz de amar intensamente a humanidade torna-se alvo de amor fervoroso da multidão. Se você concentrar sua atenção em alguém e expressar-lhe seu afeto sincero, com certeza ele se tornará um bom amigo e um excelente colaborador.
Se você quer ser amado, tome a iniciativa de amar. Talvez você tenha passado pela experiência de amar alguém e não ser correspondido. Nesse caso, embora você pensasse amar essa pessoa, não a amava de verdade. Você buscava algo em troca do amor. Expressar amor com o objetivo de obter algo em troca – isso é o que as meretrizes fazem. Obviamente, não é o amor verdadeiro. Somente quem ama de verdade pode receber o amor verdadeiro, que é generoso, desprendido e não exige retribuição.
Ame a humanidade sem esperar recompensa. Aqueles que pensam em sabotar a produção não amam a humanidade. Se você ama os trabalhadores, eles se aliarão a você, se tornarão seus amigos. Mas se você fechar-lhes as portas, eles também criarão barreiras. Para obter amigos, você próprio deve oferecer amizade aos outros, deve dedicar-lhes amor sincero, sem esperar recompensas.
Você já deve ter compreendido que o amor se obtém com o amor – e que o amor é uma grande força magnética. Agora, eu lhe pergunto: Ao amar alguém, o que você ama nessa pessoa? O talento? Os traços fisionômicos? A boa apresentação? A habilidade no trato social? A expressividade? O porte elegante? A bela voz? Qualquer que seja o ponto que você admire nessa pessoa, isso não significa que a ama de verdade. As partes manifestadas não retratam o todo, não representam o Eu verdadeiro da pessoa.
Suponhamos que a pessoa amada sofra um acidente grave e fique com o rosto deformado. Se você amava a bela aparência dessa pessoa, provavelmente você deixará de amá-la. Se você amava o talento dessa pessoa, deixará de amá-la ao perceber que, em conseqüência do acidente, ela já não consegue manifestar o talento. Entretanto, nem a aparência nem o talento são a “pessoa em si”, ou seja, a essência do seu ser. Mesmo que a pessoa se torne feia, mesmo que o seu talento seja arruinado, a sua essência não muda. Seu amor se mantém imutável mesmo que a pessoa sofra transformações, seja no aspecto físico ou na capacidade intelectual? Reflita, faça um exame crítico dos seus próprios sentimentos. Se você não consegue ter bons amigos, analise a própria atitude mental. Provavelmente, é porque você não toma a iniciativa de “criar” bons amigos. Em última análise, passa a ser nosso somente o que nós próprios criamos.
Se você deseja sinceramente fazer amizade com alguém, dedique-lhe o afeto genuíno. A pessoa acolherá o seu afeto e se tornará um bom amigo.
Não se limite a amar somente o aspecto exterior do outro, admirando-lhe os traços fisionômicos, o visual, a conduta, a postura, o talento, a riqueza, a posição social etc. Ame-o pelo que constitui a sua verdadeira essência: a sua natureza espiritual, a sua natureza divina, o seu Eu verdadeiro de filho de Deus. Não importa a aparência da pessoa, não importa que ela tenha talento limitado, seja pobre e de posição inferior, não importam a sua voz e a sua postura, se você contemplar-lhe a Imagem Verdadeira, conseguirá sentir amor por ela. Você seria capaz de agir como a imperatriz Kōmyō, que cuidou dos leprosos com amor e carinho? Por mais repulsivo que seja o aspecto fenomênico de alguém, devemos ver com os olhos da alma a sua natureza espiritual divina – ou “natureza búdica”, na linguagem do budismo – e contemplar com respeito e amor esse aspecto verdadeiro. Contemplar é fazer surgir. Por isso, quando a imperatriz Kōmyō transcendeu o aspecto fenomênico repulsivo de um leproso e lavou as feridas repugnantes das suas costas, contemplando a natureza búdica dele, o paciente assumiu a forma de Ashuku Nyorai, uma das manifestações de Buda. Agir como a imperatriz Kōmyō, que contemplava a Imagem Verdadeira de todas as pessoas e reconhecia-lhes a natureza divina – ou búdica – é praticar a verdadeira democracia.
Somente quem ama de verdade é amado. Somente quem ama consegue vivenciar a felicidade de amar e ser amado. Não é possível alcançar a felicidade coagindo e pressionando os outros, pois tal conduta é contrária ao amor. É possível conseguir o que se deseja usando a força coercitiva e exercendo pressão, mas isso atenta contra o amor, e não se consegue a verdadeira felicidade por meio de atos que não se fundamentam no amor. O prazer que se consegue derrotando os outros ou exercendo-lhes pressão é uma espécie de prazer sádico, e não um sentimento humano. Somente o amor atrai o amor, somente o amor traz a felicidade serena e tranqüila.
Do livro Kofuku Seikatsuron (ainda não editado em português; tít. prov.: Teoria sobre a Vida Feliz), pp. 15-20



 




 














Lição de vida

sábado, 28 de maio de 2011

Atividades de estimulação para bebês em casa ou nas creches




O ensino-aprendizagem dos bebês está diretamente ligado a ESTIMULAÇÃO.

Por isso lembre-se, pouca estimulação, pouco desenvolvimento e aprensizagem, mais estimulação, maior o desenvolvimento. Seguem algumas dicas práticas para você realizar com o seu bebê em casa, na igreja, na escola, sempre que puder:


Estimulando seu bebê

Todos os bebês precisam de estímulos para desenvolver-se intelectualmente, fisicamente e emocionalmente. Estimulando o bebê você vai notar grande desenvolvimento nestes três sentidos. Sem falar que enquanto você estimula o seu bebê você está criando laços afetivos com ele, e isso é o que há de melhor nesta hora. O estímulo deve ser de acordo com idade do seu bebê. Cada bebê é único, por isso não é aconselhável à comparação entre dois bebês. Cada um aprende no seu tempo. Quando se bebê estiver pronto, ele vai pegar objetos, engatinhar, andar, falar, etc.

Estímulo para bebês de: 0 – 3 meses
Massagem no corpo: um dos primeiros contatos que o bebê tem com o mundo é o das mãos. O tato é o seu sentido mais desenvolvido. Por isso faça uma massagem bem gostosa usando um óleo ou um loção hidratante para bebês. Faça movimentos suaves, um toque não muito firme, mas também não muito leve. Certifique-se que o bebê não é alérgico ao óleo ou ao hidratante.


Boca Sonora: seu bebê vai adorar quando você faz barulhos com a boca. Imite sons de animais, estale a boca fazendo barulho de beijos, assobie... Crie vários sons, você notará que seu bebê vai amar... Só não faça sons que assustem ou muito altos, porque a reação do bebê será contrária da que se espera.Conversa de Barriguinha: coloque o seu bebê deitado de barriga para cima ajoelhando-se ao lado dele. Encoste sua boca na barriga do bebê e diga palavras, variando sons e altura da voz. Ao terminar dê um beijinho na barriga dele e olhe para ele sorrindo. Seu bebê vai amar!

Cadê?: Coloque o seu bebê sentado e sente na frente dele. Tenha vários objetos e brinquedos coloridos perto de você. Mostre o brinquedo para o bebê. Depois cubra o brinquedo com um paninho. Diga ao bebê: Cadê? Ou Sumiu! Espere alguns segundos e descubra o brinquedo e diga Achou!
3 – 6 meses
Continue fazendo o que fazia nos primeiros meses, como massagem, boca sonora e cadê? e acrescente: Pega-pega: Diferente do pega-pega que conhecemos, esse pega-pega é para estimular o bebê a pegar objetos. Desde já tenha mordedores macios para que eles possam morder e coçar a gengiva quando vierem os dentes. A outra função dos mordedores é estimular o bebê a pega-los. Coloque o bebê de barriga para cima, pegue o mordedor onde obebê possa ver. Encoste o mordedor nas mãozinhas o bebê e leve até onde ele possa ver. Você notará que ele tentará pegar o mordedor.

Rolar: Coloque um cobertor no chão, de preferência encima de um tapete. Coloque o bebê encima do cobertor no meio. Levante devagar um lado do cobertor enquanto conversa com o bebê. Vai puxando até o bebê rolar e ficar de bruços. Quando isso acontecer, bata palmas, sorria e mostre a sua alegria ao bebê. Repita até o bebê se cansar.Logo ele estará rolando sozinho.

6 – 9 meses
Continue estimulando o bebê com as algumas das brincadeiras anteriores e acrescente:Barulhos: pegue panelas, potes plásticos e uma colher de pau. Mostre ao bebê batendo a colher de pau nas panelas e potes plásticos. Nesta idade bebê adora barulho. Dê a colher de pau a ele e fique de olho. Deixe que o bebê bata e faça bastante barulho. Ele vai amar.Livros, figuras, bichos de pelúcia: Imprima ou compra livros próprios para bebês com figuras de animais, comidas, flores, etc. Mostre a ele cada figura e vá dizendo o nome de cada uma delas. Embora ele não saiba repetir estará entendendo tudo e acrescentando cada vez mais palavras ao seu vocabulário.

Túnel: Quando seu bebê engatinhar, coloque no caminho dele uma caixa de papelão maior do que ele para que ele consiga passar dentro do túnel. Fique do outro lado chamando o bebê. Fazendo isso além de aventurar-se o bebê estará desenvolvendo sua capacidade cognitiva e raciocínio além de percepção mais aprofundada eaprenderá a solução de problemas.

9 – 12 meses
Continue com os estímulos anteriores e acrescente: Túnel com 3 caixas: agora além da primeira caixa tem mais 2!!! Coloque as caixas e dentro das caixas bichinhos de pelúcia para serem obstáculos. Vá para o outro lado da caixa e chame o bebê. Isso estimula a exploração de ambientes novos, e além disso tem obstáculos que ajudam o bebê a solução de problemas e desenvolve o corpo.

Caiu! : Use caixas de leite ou blocos próprios para bebês. Coloque o bebê sentado e ao redor dele os blocos. Mostre a ele como se constrói os blocos e peça que ele faça o mesmo. Quando a torre estiver pronta deixe o bebê derrubar. Faça isso até o bebê se cansar. Essa atividade ajuda o bebê a conhecer causas e efeitos.Essas atividades estimulam o bebê a desenvolverem seus sentidos e a perceber melhor o mundo a sua volta. Mas lembre-se que cada bebê tem o seu ritmo e não force-o a fazer nada que ele não queira. Bom divertimento!

Atividades e Brincadeiras - Estimulação Sensorial

 



ATIVIDADES E BRINCADEIRAS SENSORIAIS

Apresentamos a seguir algumas idéias de atividades, que podem ser feitas em casa ou na escola.
Antes de apresentarmos essas sugestões algumas considerações são necessárias. Em primeiro lugar precisamos saber que Integração Sensorial não é o mesmo que estimulação sensorial e que algumas vezes pode ser necessário reduzir a quantidade ou certos tipos de estímulos. É importante reconhecer que cada criança é única em seus interesses, necessidades e respostas.
Devemos observar suas reações a diferentes estímulos, como por exemplo, ao toque, ao movimento, à altura,aos sons e luzes, e estar prontos para alterar as atividades e fazer modificações no ambiente sempre que necessário. As respostas podem variar não só de criança
para criança, como também podem ser diferentes em um mesmo dia ou ainda de um dia para outro. A criança nos dará pistas sobre o que seu sistema nervoso precisa, procurando certas experiências sensoriais ou evitando e se desorganizando diante daquelas com as quais não sabe lidar.
Os pais não precisam nem devem se tornar terapeutas de seus filhos, mas podem fazer algumas adaptações no ambiente e na forma como lidam com a criança, procurando sobretudo preservar uma boa relação entre pais e filhos. Manter a criança informada sobre o que vão fazer, antecipando situações de estresse, pode ser uma boa estratégia para ajudá-la a se sentir menos ameaçada e evitar comportamentos inesperados. Rotinas diárias bem estruturadas, sem rigidez excessiva, permitindo que a criança antecipe os eventos, também ajudarão a criança a se organizar. Mudanças na rotina devem ser comunicadas.

Apresentamos a seguir algumas idéias de atividades que podem ser realizadas em casa ou escola, mas é preciso se ter um cuidado especial com a segurança, preservando sempre a integridade física e respeitando o desejo da criança.

SUGESTÕES DE ATIVIDADES PRINCIPALMENTE PARA MODULAÇÃO TÁTIL :

• Evite tocar a criança por trás e de forma inesperada. Crianças mais sensíveis apreciarão um toque mais firme
• Na hora do banho incentive o uso de buchas. Na hora de secar use toalhas macias e se a criança for muito sensível vá apertando a toalha em seu corpo ao invés de esfregá-la
• Pintura do corpo: Usar materiais como talco, creme, amido, álcool (o adulto manipula ), creme de barbear, buchas, pincéis, rolinhos de pintura, luvas de tecidos texturados. Incentivar a criança a passar em seu próprio corpo ou no do outro. Não forçar, respeitar onde ela deseja receber o estímulo.
• Manipulação de texturas - Num recipiente plástico (bacia) colocar água , areia, farinha, creme, pedrinhas, cereais. A criança poderá experimentar estes materiais separados ou misturados. Misturar com as mãos, encher canecas, esconder objetos no meio, enterrar as mãos ou os pés e etc.
• Caixa ou piscinas de texturas - Caixas contendo grãos, flocos de isopor, pedaços grandes de espuma. A criança poderá entrar dentro da caixa para achar algum objeto escondido lá , ou se não suportar pode inicialmente, procurar o objeto com as mãos ou os
pés .
• Trilha: Montar uma trilha, com superfícies de texturas variadas como papelão, tapete de retalhos, colchonete e carpete,almofadões, para que a criança se desloque sobre ela, rolando, engatinhando, ou numa brincadeira corporal com outra pessoa (ex: luta, trenzinho, natação no seco).
• Sanduíche: Usar colchonetes, almofadões ou cobertores para enrolar a criança, tipo rocambole, ou então amontoá-los sobre ela. Podemos cantar enquanto damos pequenos apertos sobre o corpo da criança. Podemos também enrolar a criança no colchonete e deixar que ela ande pela sala ou role pelo chão com ele.
• Abraço de Tamanduá - Abraço bem firme, apertado, incentivando a criança a fazer o mesmo. Abraçar e soltar pois a criança poderá ficar aflita se for muito demorado. Repetir várias vezes durante o dia .
• Amassa pão: Criança deitada sobre um tapete ou colchonete, rolar uma bola fazendo pressão sobre seu corpo. Chamar atenção para as partes do corpo. Observamos que atividades que envolvem o toque mais firme, como nas três ultimas sugestões, são geralmente muito apreciadas por crianças hipersensíveis.

SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA ESTIMULAÇÃO PROPRIOCEPTIVA / VESTIBULAR:

• Usar balanços de tamanhos e formas variados, como rede, gangorra, trapézio, balanço infantil de cadeirinha. Colocar o balanço baixo, para a criança impulsionar sozinha. Um balanço bastante divertido e de baixo custo é pendurar uma câmara de ar de caminhão. Observar sempre se há proteção, com colchonetes, no caso de quedas.
• Rampa ou escorregador baixo, para descer em posições variadas (Ex: deitada de barriga para baixo ou para cima, sentada de frente ou de costas) e para escalar. Pode subir engatinhando ou se puxando por uma corda estando deitada de barriga para baixo.
• Carrinho de rolimã para usar sentado ou deitado de barriga para baixo. Fazer trilhas para percorrer. Descer em pequenas rampas.
• Tapete voador: Puxar a criança sentada ou deitada sobre uma colcha ou tapete. Variar direção e velocidade.
• Freqüentar parquinhos, incentivando, sem forçar, o uso do escorregador e de balanços.
• Bolas grandes próprias para ginástica podem ser usadas para várias brincadeiras. A criança sentada sobre a bola pode brincar de "pula-pula", balançar para trás e frente e para as laterais. Deitada de barriga para baixo a criança pode balançar para trás e para frente e, se gostar, pode até virar uma cambalhota.

Os balanços devem estar pendurados numa altura que permita a criança tocar o chão com os pés sempre que desejar. As crianças mais inseguras podem se sentir inicialmente melhor balançando no colo de um adulto. Procure sempre enriquecer as atividades nos balanços com outros objetivos (Ex: cantar, acertar alvos com os pés ou com as mãos, jogar bola num cesto ou com a
outra pessoa), isto é muito importante, principalmente para aquelas crianças que tendem a querer usá-los por muito tempo e de forma pouco criativa. Brincadeiras de puxar e empurrar estimulam os proprioceptores e podem ser combinadas com as atividades vestibulares acima citadas.

SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA ESTIMULAÇÃO VISUAL:

• Chame a atenção da criança para acontecimentos no ambiente como, a fogueira, o nascer e o pôr do sol.
• Ligar e desligar a luz. Adaptar uma chave no interruptor para regular a luminosidade.
• Providencie uma variedade de opções de iluminação como, lâmpadas de mesa, lâmpadas coloridas, piscapisca.
• Brincadeiras com lanternas, fazendo sombras ou movimentos na parede, iluminando objetos.
• Clarear a superfície de gavetas para facilitar que objetos sejam encontrados e da mesa onde a criança for realizar atividades.
• Providencie livros com figuras amplas.
• Usar preferencialmente papel branco e lápis preto para dar o máximo de contraste nos desenhos.
• Lápis fluorescentes podem ser usados sobre papel preto.
• Prancha inclinada sobre a mesa onde será fixado o papel poderá facilitar a escrita melhorando o campo de visão.
• Aquários com peixes coloridos.

SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA ESTIMULAÇÃO AUDITIVA:

• Ensinar canções
• Ensinar rítmos
• Ouvir estilos musicais diferentes
• Variar o rítmo de uma mesma música
• Grave sons da natureza.

Finalmente, um aspecto importante a se considerarem qualquer programa para crianças que apresentam distúrbios invasivos do desenvolvimento é que na maioria da vezes temos boas idéias para brincadeiras e atividades, o problema, no entanto, é como levar a criança a participar. As sugestões de Greenspan e Weider (1998) sobre como iniciar e manter interações com crianças com distúrbios do desenvolvimento, apresentada no quadro abaixo, nos parecem bastante úteis para pais e cuidadores.

SUGESTÃO DE ESTRATÉGIAS PARA INICIAR E MANTER A INTERAÇÃO COM CRIANÇAS

• Acompanhe a criança e siga sua liderança. Observe seu comportamento e dê sentido ao que ela faz,agindo como se tudo fosse intencional. Por exemplo, se ela cai sobre o sofá, inicie uma guerra de almofadas, se ela deixa algo cair e faz um barulho diferente, repita, como se fosse intencional.
• Se posicione na frente da criança e ajude-a a fazer o que ela quer.
• Dê suporte às iniciativas da criança e expanda o conteúdo inicial, se faça de bobo, faça coisas erradas ou engraçadas e observe a reação. Se interponha no caminho da criança, interferindo de maneira divertida com o que ela está fazendo.
• Descubra o que atrai a atenção e causa prazer na criança. Use brincadeiras sensoriais (ex: balançar, pular, rodar e luta), jogos de causa e efeito, que aparecem e desaparecem, ou brincadeiras infantis, como o esconde -esconde e o "vou te pegar".
• Enfatize palavras e gestos, exagere a expressão facial e entonação, deixando claro seus sentimentos e intenções.
• Faça o que for possível para manter a interação e não interrompa a atividade enquanto conseguir manter a interação.
• De sentido aos sons que a criança emite, completando palavras, ampliando o conteúdo ou dando um contexto para a palavra emitida, coloque palavras ou dê nome aos sentimentos que ela conseguir expressar.
• Insista sempre em uma resposta, que seja um gesto, um som, um olhar.
• Não desista da criança, seja persistente, paciente e espere pela resposta.
Foi apresentada uma visão prática dos problemas de processamento sensorial observados em crianças portadoras de distúrbios invasivos do desenvolvimento. São necessárias muitas pesquisas nessa área, mas esperamos que as descrições de sinais e sugestões de atividades ajudem pais e profissionais a compreender melhor alguns comportamentos dessas crianças, usando essa perspectiva para inspirar novas formas de interação e intervenção com essas crianças.

Por: Márcia Cristina Franco Lambertucci / Lívia de Castro Magalhães
Retirado de: Transtornos Invasivos do Desenvolvimento, 3º Milênio - Walter Camargos Jr e Colaboradores, 2005

Interação sensorial para Autistas


Interação sensorial
Pessoas com Autismo freqüentemente têm dificuldades sensoriais. Eles podem ter
hiper ou hipoatividade sem a habilidade de integrar a ação ao
sentido.
A integração social normalmente é feita por um terapeuta ocupacional, fisioterapeuta ou fonoaudiólogo, com o objetivo de sensibilizar o autista e ajudá-lo
a reconhecer as informações sensoriais. Por exemplo, se o autista
tiver dificuldades com o sentido do toque, a terapia deve incluir
vários materiais com diferentes texturas. Temple Grandin, que é
autista, criou uma "Squeeze Machine" (máquina do aperto) com pressão
profunda, "deep pressure", para ajudá-la a tolerar o toque de outras
pessoas.
A Doutora A. Jean Ayres, terapeuta ocupacional, desenvolveu um
programa de tratamento chamado "Sensory Integration Therapy" (terapia
de integração sensorial), atualmente bastante usado com autistas nos
Estados Unidos. A Dra. Ayres começou a trabalhar com indivíduos com
dificuldade de aprendizagem e o método foi generalizado para todas as
pessoas que tivessem dificuldades com integração sensorial.
A população normal desenvolve a integração sensorial naturalmente,
brincando, movimentando-se naturalmente no ambiente, enquanto que as
pessoas com disfunção de interação sensorial não conseguem processar
as sensações relacionadas com suas atividades. Como conseqüência
estes indivíduos não conseguem desenvolver e ajustar as respostas que
o cérebro organiza. Terapeutas com treinamento em integração
sensorial podem diagnosticar como o individuo está processando essa
integração e desenvolver para ele um ambiente que lhe permita
interagir com mais afetividade.
O terapeuta orienta a pessoa na escolha de atividades que ajudarão no
desenvolvimento do cérebro. Uma vez que se inicia a terapia de
integração sensorial as atividades a ela correlacionadas deveriam ser
acompanhadas e compartilhadas no dia a dia pela família, pela escola
e pelas outras pessoas que participem da vida daquele individuo.
Uma das propostas dessas atividades é organizar o que o individuo
está recebendo de várias fontes sensoriais e facilitar o
desenvolvimento de funções de interação "A habilidade de organizar as
sensações vindas do corpo e para dar uma resposta adequada para elas,
ajuda o cérebro a organizar outras funções" ( ).



Algumas Atividades Recomendadas:

terapia com escova
Esta terapia usa uma escova pequena e macia para escovar as costas,
braços, mãos, pernas e pés (não escove a barriga) do individuo com
disfunção sensorial por 3 a 5 minutos. Essa operação deverá ser
executada a cada 90 minutos ou de 2 a 2 horas. Esta técnica pode
acalmar e, em alguns casos, alertar o sistema sensorial.
ATENÇÃO: Se a terapia da escova não for feita corretamente poderá ter
um efeito negativo. Tanto a escova como o ato de escovar deverão ser
apropriados para evitar efeitos prejudiciais.

(terapia de pressão profunda)
Atividades que podem oferecer profunda pressão são: pular em uma cama
elástica, "sanduíche" (colocar o individuo entre dois colchões),
pular em uma grande bola de terapia, algumas atividades marciais,
alguns exercícios de balé, pular, abraço bem forte, colete com pesos.

 Dieta Sensorial
A "Dieta Sensorial" é baseada na idéia de que cada indivíduo
necessita uma certa quantidade de atividades e sensações para ser
efetivamente alerta, atento, adaptável e habilidoso. Cada indivíduo
tem sua necessidade específica de requisitos nutricionais para
desenvolver e manter um nível de funcionamento adequado de seu corpo
e mente.
As atividades ajudam as pessoas com distorção na percepção sensorial
e processamento dos sentimentos diminuindo o nível de excitação por
algum tempo e podem também oferecer o aumento da concentração e da
estimulação sensorial.

RECOMENDAÇÕES:

Reconhecer quando a pessoa está exibindo a necessidade de
estimulação sensorial.
Evitar sobrecarregar - Use a reação do individuo para tomar
as decisões sobre quando as atividades sensoriais devem ser feitas e
quanto tempo que elas devem durar.
Implementar as atividades sensoriais no cotidiano (como parte
das ações diárias).
Incorporar reforços dentro das atividades diárias da criança.
Usar técnicas de estímulo antes das tarefas cognitivas e de
linguagem. O aumento de estímulo pode facilitar o desenvolvimento e
ampliação da linguagem.
Providenciar atividades que produzam estimulação sensorial e
que serão aplicadas quando a pessoa demonstrar a necessidade interna
de concentração e estimulação dos sentidos para desempenhar uma
atividade especifica.
Terminada a atividade de estímulo, substituí-la por uma
atividade calma.
Providenciar uma área tranqüila que seja definida com limites
e permita ao indivíduo trabalhar e ganhar reforços para seus sentidos.

estimulação oral
Bebês exploram o mundo colocando objetos na boca. Esta ação satisfaz
a necessidade de estimulação oral que eles têm e dependerá da
necessidade sensorial de cada criança.
Pessoas com disfunção motora oral necessitam usar a boca para muitos
propósitos. Exemplo: adultos que têm a mania de mastigar a tampa da
caneta.
Para aumentar a estimulação oral podem ser adotadas algumas
atividades para acalmar e organizar o corpo e suas funções como, por
exemplo, chupar, apitar, assobiar; assoprar bola de ping-pong ou
algodão pela mesa, assoprar bolinha de sabão; tomar iogurte com polpa
de frutas com canudo (que tenha dificuldade em chupar), por exemplo.
Esse esforço acalma.
Outras atividades:
1 Assoprar, ajuda a desenvolver a respiração adequada
importante para fala.
2 Mastigar ajuda a organizar o cérebro.
3 Mastigar ruidosamente comidas como pipoca, cenoura, aipo e
outros vegetais crus, ajuda a alertar.
Se o individuo não responder bem às técnicas de intervenção sensorial
suspenda as atividades.
A superestimulação pode acontecer causada por:
a) ambiente ou fatores fisiológicos como luz, barulho, temperatura,
cheiro, toque, fome, doença etc.
b) pessoas (número de pessoas, atividades, movimento, pessoas
específicas suas características como voz, tipo de interação).
c) demanda de tarefas, número grande de passos em tarefas,
dificuldades para realizar determinadas ações, tédio com a atividade,
número de atividades simultâneas, grau de abstração exigido pela
tarefa.
É melhor se ter uma área para o individuo ficar sozinho. A idéia é
que, com o tempo, a pessoa reconheça os sinais de agitação e que
possa ir sozinha a esse lugar para se acalmar. No processo de
aprender esta estratégia de se controlar a criança vai necessitar de
atenção "prompting" de outras pessoas para ir a esta área.