sábado, 24 de setembro de 2011

O trabalho pedágogico do Berçário e
Mini-Maternal. Orientações para uma prática
inclusiva na Educação infantil

Cuidar e Educar
Compreende-se hoje que cuidar da criança é atender suas necessidades físicas oferecendo-lhe condições de se sentir confortável em relação ao sono, à fome, à sede,à higiene, à dor, etc. Mas não apenas isto. Cuidar inclui acolher, garantir a segurança e alimentar a curiosidade e expressividade infantis. Nesse sentido, cuidar é educar, dar condições para as crianças explorarem o ambiente e construírem sentidos pessoais, à medida que vão se constituindo como sujeitos e se apropriando de modo único das formas culturais de agir, sentir e pensar. Inclui ter sensibilidade e delicadeza, sempre que necessário, além de cuidados especiais conforme as necessidades de cada criança. Portanto, cuidar e educar são dimensões indissociáveis de todas as ações do educador. Assim, pode-se dizer que educar e cuidar da criança implica:
• acolhê-la nos momentos difíceis, fazê-la sentir-se confortável e segura, orientá-la sempre que necessário e apresentar-lhe o mundo da natureza, da sociedade e da cultura, aqui incluindo as artes e a linguagem verbal;
• garantir uma experiência bem-sucedida de aprendizagem a todas as crianças sem discriminar aquelas que apresentam necessidades educacionais especiais ou que pertencem a determinadas etnias ou condições sociais;
• trabalhar na perspectiva de que as próprias crianças aprendam a se cuidar mutuamente, busquem suas próprias perguntas e respostas sobre o mundo e respeitem suas diferenças, promovendo-lhes autonomia.

Sugestões de atividades pedagógicas para berçário e mini-maternal nas diferentes áreas curriculares da Educação Infantil.

Movimento



BERÇÁRIO  1
As crianças, desde bebês, podem ser incentivadas a explorar com progressiva autonomia, presteza e confiança os diferentes desafios oferecidos pelo espaço para além do berço, por meio de movimentos rudimentares e básicos, tais como erguer a cabeça, rolar, sentar, apoiar, rastejar e engatinhar. Também podem aprender a manipular e explorar diferentes objetos, utilizando-se dos movimentos básicos tais como pegar, largar, levar à boca, chutar, lançar de diferentes modos, empilhar, encaixar, etc.  
Os bebês podem ser ajudados a familiarizar-se com a própria imagem corporal,
discriminando sensações e percepções ligadas aos diferentes segmentos do corpo, especialmente por meio da interação com os outros parceiros, do toque e uso do espelho.



BERÇÁRIO 2
Com a conquista da marcha, as crianças podem explorar desafios maiores oferecidos pelo espaço por meio de movimentos coordenados rudimentares e básicos (erguer a cabeça, rolar, sentar, apoiar, rastejar, engatinhar), mas também andar, correr, saltar, saltitar, pular para baixo, subir, etc, com maior autonomia, presteza e confiança. Elas podem ser apoiadas a manipular e
explorar objetos de diferentes características (formas, pesos, texturas, tamanhos, etc.) utilizando-se de movimentos básicos (pegar, largar, levar à boca, chutar, lançar de diferentes modos, empilhar, encaixar, etc.) igualmente com autonomia, presteza e confiança progressiva.
As crianças podem aprender a familiarizar-se com a própria imagem corporal e a discriminar, no que se refere às sensações e percepções, as suas diferentes partes, por meio do toque, interação com diferentes parceiros (adultos e crianças de diferentes faixas etárias), brincadeiras, uso do espelho, fotografia, imagens de corpo humano, etc.



MINI- MATERNAL  E MATERNAL
As crianças podem continuar a ser incentivadas a explorar os diferentes desafios oferecidos pelo espaço por meio de movimentos coordenados básicos (como andar, correr, saltar, saltitar, pular para baixo, subir, escalar, trepar, arrastar-se, pendurar-se,balançar-se, equilibrar-se, etc.) com maior autonomia, presteza e confiança, e aprender a orientar-se corporalmente com relação a: em frente, atrás, no alto, em cima, embaixo, dentro, fora. Também podem aprender a usar os movimentos básicos de pegar, lançar, encaixar, empilhar, etc. com mais destreza e autonomia na manipulação e exploração de diferentes objetos
As crianças podem apropriar-se da própria imagem corporal, por meio dos recursos já mencionados e podem aprender a discriminar e nomear as diferentes partes do próprio corpo e o do outro. Podem controlar gradualmente o próprio movimento, ajustando suas habilidades às diferentes situações das quais participa (brincadeiras e atividades cotidianas) e conhecer as potencialidades e limites do próprio corpo. Com isso desenvolvem uma atitude positiva com relação a seu corpo e ao do outro, assim como prazer ao movimentar-se.


BRINCADEIRAS


BERÇÁRIO 1
 Desde cedo as crianças podem aprender a brincar com as professoras de esconder e descobrir o rosto, a procurar e achar objetos que foram escondidos, a esconder-se em algum canto da sala e ser encontrado, a jogar bola.
Podem aprender a encaixar peças de madeira ou empilhar cubos, e a participar com os companheiros de brincadeiras de roda, cirandas, imitando gestos e vocalizações do professor e dos colegas.
Na interação com outros bebês, podem se envolver em turnos de troca
de objeto, ritmar uma mesma ação. Por exemplo, bater com as mãos sobre uma superfície, entrar e sair de espaços pequenos.

BERÇÁRIO 2
As formas de brincar já experimentadas podem prosseguir e novas aprendizagens podem ser estimuladas: brincar de roda ou de cirandas imitando gestos e cantos do professor e dos colegas; brincar de esconde-esconde, de jogar bola, de correr, com a supervisão do professor; imitar gestos e vocalizações de adultos, crianças ou animais, usar alguns objetos de um modo inusitado e em substituição de outros (por exemplo, fazer gesto de passar um toquinho de madeira no corpo como se ele fosse um sabonete).

MINI- MATERNAL
As crianças podem aprender a participar de cirandas e brincadeiras de roda, cantando e fazendo os gestos esperados sem precisar ter o professor como modelo, a brincar de esconde – esconde e pega-pega, a jogar bola com supervisão do professor.
Elas podem ampliar a imitação de gestos, posturas e vocalizações de modelos (adultos, crianças, animais ou personagens de histórias) na ausência deles e a imitação de objetos (o som do relógio, o movimento de um carro). Podem ser
apoiadas a assumir papéis ao reproduzirem situações cotidianas no faz-de-conta mediado por objetos e indumentárias, ou a imitar as ações de um personagem de uma história lida (imitar o lobo da história,
caminhar como os sete anões cantando na floresta).
Podem aprender a brincar com marionetes reproduzindo falas simples de personagens que memorizaram ou que inventam.
Elas podem ainda aprender a construir, com o auxilio do professor, brinquedos com sucatas a partir de modelos, casas ou castelos com areia, sucata, tocos de madeira e outros materiais.










LINGUAGEM ORAL E ESCRITA


BERÇÁRIOS e MINI-MATERNAL
As crianças que vivem em um contexto comunicativo, rico em interações, podem, desde muito cedo, progressivamente aprender a expressar seus desejos, sentimentos e necessidades por meio de gestos e balbucios, e participar de situações mais coletivas de comunicação, ainda que não seja uma roda de conversa propriamente dita, onde têm oportunidade de manter contato com outros falantes, observá-los, imitá-los, etc. Elas podem aprender, com apoio do professor, a organizar oralmente as etapas de uma instrução, como seguir uma receita ou as regras para uma brincadeira, por exemplo.



BERÇÁRIOS
Nas interações que estabelecem com o professor, as crianças podem ser ajudadas a organizar seus balbucios em expressões que podem ser compreendidas por qualquer falante de sua língua. Elas podem participar de uma situação mais coletiva de comunicação, ainda que não seja
uma roda de conversa propriamente dita, e expressar-se oralmente com o apoio do professor, que as auxilia a relatar ao seu modo suas brincadeiras ou fatos do cotidiano.


MINI-MATERNAL
As crianças podem aprender a participar de espaços de conversa coletiva, apoiando-se não apenas na fala complementar do professor, mas
também em sua memória e em seus próprios recursos expressivos.
As crianças podem aprender a reconhecer e usar rimas em suas brincadeiras, espontaneamente, acionando os textos da tradição oral de memória, ou identificando e acompanhando a leitura do professor.
As crianças podem reproduzir os comportamentos, a gestualidade e a postura que o professor adota quando lê para ela, tais como ler a partir da capa, virar as páginas do livro sucessivamente, etc., reconhecer no livro as histórias que lhe são lidas, procurar por e/ou pedir ao professor diferentes livros de sua preferência, reconhecer passagens de histórias a partir das imagens/ ilustrações de um livro.




BERÇÁRIO 1
Os bebês podem ser apoiados a acompanhar a cantoria de parlendas, cantigas ou brincadeiras cantadas, expressando-se corporalmente, emitindo sonorizações, vocalizando com o apoio do professor, etc.
As crianças podem ser ajudadas a distinguir a entonação do professor quando ele conta histórias e quando se comunica em situações cotidianas, por exemplo.

BERÇÁRIO 2
As crianças podem aprender a reconhecer e recitar parlendas e outros textos da tradição oral, tais como quadrinhas, adivinhas etc.
As crianças podem acompanhar verbalmente contos de repetição a partir das narrações do professor e narrar trechos de histórias utilizando recursos expressivos próprios.

 


NATUREZA E SOCIEDADE


Emei, creches e Emeiis devem, caracterizar-se como espaços onde as crianças encontrem, desde cedo, espaço vivo de informações sobre diferente conteúdos que compõem o universo de conhecimentos construídos pelas ciências naturais e sociais. A compreensão do mundo natural, físico e social acompanha o constante esforço que cada criança faz para singularizar-se, para perceber-se como única, como pessoa diferente das demais, mas incluída em um projeto humano solidário onde as mais variadas pessoas se colocam em busca de formas de justiça social e de preservação do planeta.


BERÇÁRIO 1
 Os bebês podem brincar com água e areia, ou terra, pasta de maisena ou outros materiais e explorar texturas e algumas propriedades simples dos materiais, como, por exemplo, a temperatura e consistência. Em suas atividades, podem ser incentivados a notar variações de sons (alto, baixo, grave, agudo), assim como variações de localizações (esquerda, direita).

BERÇÁRIO 2
 As crianças podem ser incentivadas a iniciar pequenas explorações com alimentos, objetos e cheiros que ampliam suas experiências com sensações visuais, auditivas, gustativas e olfativas. Podem aprender a observar reações de causa e efeito se forem estimuladas a agir sobre objetos para ver como eles reagem: chutar bola de modo forte e fraco, misturar terra e água, por
exemplo. Elas podem ainda aprender a reconhecer a si pelo próprio nome, assim como a seus pais e amigos mais próximos e os diferentes adultos que têm contato direto nos espaços da escola.


MINI-MATERNAL
 As crianças podem aprender a agir sobre objetos e materiais, com ajuda do professor, fazendo misturas de água e areia ou modelando a massinha produzida, criando misturas.
Por exemplo, mingau grosso de água e maisena, e pesquisar algumas características físicas, ou seja, consistência (duro, mole), temperatura (quente, frio), peso (leve, pesado). Podem aprender a observar diferenças e semelhanças entre o estado inicial e final dessas misturas e pensar sobre
problemas simples, como por exemplo, como fazer para uma mistura ficar mais “molinha”, ou como deslocar um objeto pesado. Podem observar sua imagem refletida no espelho, observar outras pessoas e comparar algumas de suas características pessoais, como cor e tamanho do cabelo, número de dentes, altura. Podem familiarizar-se com formas de organizações sociais: aprender
a viver com o outro, conhecer e aprender a lidar com regras e combinados, acalentar o amigo quando este está triste ou chorando, conforme aprendem a realizar brincadeiras e tarefas em dupla ou grupo – guardar brinquedo numa caixa, brincar de fazer “melecas” de água e terra, ou água e areia. Podem reconhecer diferenças e semelhanças entre sua organização familiar e a das
outras crianças e identificar seus colegas e outros adultos dos espaços de educação infantil pelo nome. Podem aprender a observar animais, em livros, revistas e filmes, a reconhecer os sons por eles produzidos, sua pelagem, forma do corpo, presença de bico, localização dos olhos e outras
características físicas externas, além de alimentação e moradia, e podem aprender sobre formas de registro e pesquisa em diferentes fontes. OS


BERÇÁRIOS E MINI-MATERNAL
Uma consideração especial considerando as características do pensamento das crianças menores de Berçários I e II e Mini- maternal, é evidente que não se pode falar em ensinar Matemática, por outro lado, também não se pode negar que algumas experiências são essenciais e devem ser tomadas com intencionalidade por parte do professor, pois as tantas experiências vividas nas situações de brincadeiras já trazem elementos que a cada tempo vão se modificando e transformando em informações relevantes para aprendizagem da
matemática propriamente dita. Tomar estas experiências isoladamente certamente não faz nenhum sentido, por essa razão, o mais adequado é apontar para situações que favoreçam as aprendizagens relacionadas ao conhecimento matemático, mas sem descolar de todo conjunto que compõe as aprendizagens neste momento de desenvolvimento. Criar um espaço específico para o “ensino da matemática” no currículo de  EMEIs significaria desconsiderar como pensam as crianças neste faixa etária além de propor um desmembramento nada indicado. Sendo assim, intensificar as brincadeiras com objetos para serem amassados, deslocados, ou ainda propostas para as crianças se movimentarem enfrentando obstáculos, em direção a alguém ou a alguma coisa são experiências que ajudam as crianças a começar a compreender suas relações com os objetos e com o espaço. Trata-se de uma aproximação global que mais tarde ganha sentido no corpo dos conhecimentos matemáticos. Para tanto, o professor precisa favorecer e organizar experiências envolvendo diversas explorações do espaço e dos objetos 


Berçário 1 e 2 e Mini- Maternal  
Manipular, explorar e observar quantidades.
Priorizar o trabalho com o lúdico de forma a atender as necessidades reais de contagem.
Aprender a se deslocar ou deslocar objetos no espaço – andar, correr, arrastar ou empurrar sem esbarrar em pessoas ou objetos, deslocar-se em espaços para além da sala do grupo e explorar os diferentes caminhos para se chegar a um mesmo lugar e deslocar-se enfrentando obstáculos presentes nos trajetos: subindo, descendo, pulando, passando por cima, por baixo, rodeando, equilibrando-se -, de preferência sem a ajuda de um adulto, são aprendizagens que se ligam à organização espacial. Outras aprendizagens que podem ser estimuladas são: procurar objetos ou pessoas escondidos em diferentes lugares, manipular objetos de diferentes formatos e tamanhos
e utilizar o conhecimento de suas propriedades para explorá-los com maior intencionalidade, ou manipular objetos variados de novas maneiras, empilhá-los do menor para o maior e vice e versa, e produzir novos sons, novas formas, novos usos para os mesmos.


Música


 BERÇÁRIO 1
 Os bebês podem ser apoiados a perceber os sons do ambiente e a reagir a sons e músicas.
Podem reconhecer suas músicas preferidas acompanhando-as por meio de movimento corporal.

BERÇÁRIO 2
 As crianças podem produzir sons batendo, sacudindo, chacoalhando etc. objetos sonoros e instrumentos musicais diversos, usando o próprio corpo e a voz. Podem ser convidadas a explorar as qualidades sonoras (intensidade, duração, timbre, altura) de objetos e instrumentos musicais diversos, mesmo sem reconhecê-las convencionalmente. Podem ainda aprender a explorar as possibilidades expressivas da própria voz.

MINI-MATERNAL
As crianças podem ser desafiadas a cantar, sozinhas ou em grupo, partes ou frases das canções que já conhecem, a participar de brincadeiras musicais e a relacionar a música com a expressão corporal e a dança. Podem aprender a identificar diferentes paisagens sonoras, percebendo suas qualidades: aprender a identificar o silêncio, a identificar sons da natureza (cantos de pássaros, “vozes” de animais, barulho do vento, da chuva etc.) ou da cultura (vozes humanas, instrumentos musicais, máquinas, objetos e outras fontes sonoras). Elas podem aprender a reconhecer diferentes qualidades dos sons, ainda que não saibam nomeá-las convencionalmente, e a apreciar músicas instrumentais e diferentes expressões da cultura musical brasileira, bem como de outras culturas.
Podem também aprender a reconhecer e demonstrar sua preferência por músicas instrumentais, canções, acalantos, cantigas de roda, parlendas, trava-línguas, mnemônicas, adivinhas etc, cantar e participar de brinquedos de roda e jogos musicais.


 

ARTE

BERÇÁRIO 1
 As crianças podem ser incentivadas a observar e explorar os ambientes internos e externos de seu entorno onde podem ter acesso a diferentes manifestações no campo visual: desenho, pintura, fotografia, artesanato etc., e a demonstrar, por meio do olhar, de sorrisos, de gestos, de interjeições etc., suas preferências por determinados objetos, sejam eles bi ou tridimensionais. As crianças podem observar outras crianças desenhando e aprender a marcar diversos suportes com suas garatujas básicas
 As crianças podem ser apoiadas a observar as transformações das cores nas misturas de composições não tóxicas, mais especificamente sucos, mingau de beterraba, gelatina, etc. Elas também podem experimentar e articular visualmente as diferentes relações de claro e escuro na natureza e nos meios artificiais, como a pintura, a fotografia, o cinema, etc.

BERÇÁRIO 2
 As crianças podem não apenas observar, mas também começar a explorar algumas das manifestações do campo visual. No contato com um ambiente visual voltado ao desenvolvimento de sua criatividade, as crianças podem reconhecer sua marca gráfica entre as produções de outras crianças e
apontar sua produção entre as expostas na sala ou na roda de observação das produções do grupo.
As crianças podem aprender a utilizar diferentes ferramentas, suportes e materiais e diferentes posições espaciais e corporais para desenhar: sentado, em pé, deitado de bruços, etc., para explorar diversas possibilidades de traçar garatujas, desde as mais desordenadas até os diagramas, radiais, etc.
As crianças podem usar diferentes materiais e ferramentas na exploração de objetos e fenômenos que envolvam a ocorrência das cores, explorar massas de cor e alterar sua aparência e/ou sensação tátil. Por exemplo, tornando-as mais ou menos diluída, mais ou menos opaca, etc.



MINI-MATERNAL
 As crianças podem ser ajudadas a constituir um repertório de imagens de referência e aprender a reconhecê-las na ilustração de livros, em cartazes fixados na parede, etc. Elas podem aprender a expressar suas ideias e sensações sobre tais imagens por meio de sua fala, do corpo ou de outras experimentações artísticas nas mais variadas linguagens
As crianças podem aprender a orientar-se na produção de seus desenhos por
conhecimentos tipicamente visuais – tais como a ordenações de espaços vazios, cheios, abertos, fechados, seja em plano bidimensional ou tridimensional, a reconhecer seus desenhos, distinguindo os dos de outras crianças e a comentar
As crianças podem progressivamente aprender a usar diferentes materiais e ferramentas para explorar objetos e fenômenos que envolvam diferentes possibilidades da cor para criar padrões de preenchimento variados (imprimindo, carimbando, pintando, preenchendo, etc.), nas produções de
desenhos, pinturas e criação de demais objetos bidimensionais ou tridimensionais.
Também se espera que todo o conhecimento sobre as cores, suas texturas, aparência, etc., conhecimentos construídos desde muito cedo nas brincadeiras com as melecas, possa dar às crianças, possibilidade de se expressarem visualmente controlando a sobreposição de cores para alterar sua aparência, consistência e/ou sensação tátil. As crianças podem ser incentivadas a explorar relações de peso, tamanho, volume e direção das formas bidimensionais ou tridimensionais ao construir formas planas e volumosas, e considerar suas relações com os espaços tridimensionais, seja por meio da escultura, modelagem, instalação, etc. Podem expressar sensações a partir da exploração de materiais com texturas diversas e utilizá-los, assim como diferentes ferramentas para ordenar no espaço formas variadas de objetos bidimensionais ou tridimensionais, seja desenhando, imprimindo, carimbando, pintando, preenchendo, etc. Podem, além disso, experimentar diferentes pesos das formas e as relações de equilíbrio na construção de objetos tridimensionais e aprender os procedimentos de sustentação de um meio tridimensional: agregar, escavar, desgastar, aplainar, etc.



BERÇÁRIOS 1 e 2
As crianças podem explorar as relações de peso, tamanho, volume e direção
das formas tridimensionais, explorar espaços bidimensionais e tridimensionais utilizando materiais e ferramentas diferentes e construir conhecimentos sobre o equilíbrio das formas, pesos e tamanhos dos diferentes objetos que compõem seus primeiros jogos: os blocos de construções, as caixas de empilhar e encaixar, etc. As crianças podem ainda explorar suficientemente o espaço de seu entorno e movimentar-se nele com autonomia e independência.

IDENTIDADE E AUTONOMIA


Ao longo de sua experiência cotidiana na creche  ou EMEI, as crianças necessitam: apropriar-se de hábitos regulares de higiene pessoal (interessar-se por lavar as mãos, limpar o nariz sozinho, escovar os dentes com cuidado, usar corretamente os materiais necessários para sua higiene, ter as mãos e o rosto limpo em certas ocasiões), perceber a vontade de ir ao banheiro e ter progressivo controle de esfíncteres, aprender a executar movimentos colaborativos ao vestir-se ou desnudar-se (como colocar (ou tirar) os sapatos, (des)abotoar-se, etc.), a comer sem ajuda e usar talheres adequadamente, a escolher o que quer comer ao servir-se de comida e a expressar preferências em relação a cheiros e paladares.
Outra aprendizagem necessária às crianças é buscar segurança e conforto: reconhecer situações de potencial perigo e tomar precauções para evitá-las. Não colocar mão suja na boca, não comer terra, plantas, tinta, não subir em lugares altos sem ajuda, a ter cuidado com o manuseio de materiais
pontiagudos. Necessitam aprender a tomar cuidados necessários à proteção do corpo conforme manipulam tintas, argilas, colas, etc., e também ao brincar, explorar espaços e praticar ações físicas como subir, descer, pular, saltar, rolar, etc., identificar produtos que não devem ser ingeridos e saber
por que não devem fazer uso de medicações sem orientação dos adultos.
A criança pode aprender a familiarizar-se com a própria imagem corporal, a expressar corporal e/ou verbalmente.  
Reconhecer sensações produzidas por diferentes estados fisiológicos e comunicar ao professor que está com sede, fome, dor, frio, etc., e a solicitar aconchego em situações cotidianas. Pode ainda aprender a conhecer seus recursos e limitações pessoais em determinadas situações, identificar elementos que lhe provocam medo e buscar
ajuda para superá-lo, ter uma atitude ativa diante de uma dificuldade superável e ficar satisfeito com suas conquistas.







Inclusão na Educação Infantil


Todos iguais, apesar de diferentes: a inclusão de crianças
com necessidades educacionais especiais.

Tem sido uma conquista muito grande em nossa sociedade modificar a forma como as crianças com algum tipo de deficiência ou problema de desenvolvimento vinham sendo educadas. Cada vez mais se entende que a medida correta para se lutar por uma sociedade mais igualitária é assegurar a todas as crianças com necessidades educacionais especiais condições de acesso e permanência nas EMEIs onde podem ter contato com diversas experiências e conteúdos que lhes favoreçam sua aprendizagem e seu desenvolvimento. “É fundamental que a inclusão escolar de todas as crianças tenha início na educação infantil, onde se desenvolvem as bases necessárias para a construção do conhecimento e seu desenvolvimento global. Nessa
etapa, ludicidade , o acesso às formas diferenciadas de comunicação, a
riqueza de estímulos nos aspectos físicos, emocionais, cognitivos e sociais
e a convivência com as diferenças favorecem as relações interpessoais,
o respeito e a valorização da criança” (Versão Preliminar: POLÍTICA
NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL, MEC/SSESP, 2007.p. 16).
O desafio colocado ao professor das instituições de educação infantil é perceber cada criança com necessidades educacionais especiais para apoiá-la em suas especificidades, promovendo situações de interação com as outras crianças que favoreçam a transformação e ampliação do seu repertório cultural, maximizando suas aprendizagens. Seu planejamento deverá possibilitar o envolvimento dessas crianças e das demais em vários momentos e em diferentes atividades que podem ocorrer simultaneamente em pequenos grupos.
 “As necessidades decorrentes de limitações não devem ser ignoradas,
negligenciadas, ou confundidas com concessões ou necessidades fictícias. Para que isso não ocorra, devemos ficar atentos em relação aos nossos conceitos, preconceitos, gestos, atitudes e posturas com abertura e disposição para rever as práticas convencionais, reconhecer e aceitar as diferenças como desafios positivos e expressão natural das potencialidades humanas. Dessa forma, será possível criar, descobrir e reinventar estratégias e atividades pedagógicas condizentes com as necessidades gerais e específicas de todos os alunos e de cada um dos alunos.
Por exemplo, no caso da criança cega ou com baixa visão. É preciso compreender que a visão reina soberana na hierarquia dos sentidos ocupando uma posição proeminente no que se refere à percepção e integração das formas, contornos, tamanhos, cores e imagens que estruturam a composição de uma paisagem ou um ambiente. Quando falta a visão, a criança recorre às informações táteis, auditivas, sinestésicas e olfativas com mais frequência para decodificar e guardar informações na memória. O professor, compreendendo como a criança percebe, pode rever e construir suas práticas conforme a necessidade apresentada”. (BRASIL, Formação Continuada a Distância de Professores para o Atendimento Educacional Especializado.
MEC/SEESP 2007, p.13).

O professor cuida e educa uma criança com necessidades educacionais especiais quando ele:
• acredita que ela pode aprender e que sua vivência na EMEI lhe será benéfica.
As atitudes do professor em relação a ela servirão de referência para as demais crianças também se relacionarem com ela;
• estrutura os ambientes de aprendizagens de modo a proporcionar-lhe condições para participar de todas as propostas para as demais crianças garantindo-lhe condições para interagir com os companheiros e com ele, professor;
• prepara cuidadosamente as atividades que propõe. Atividades com maior grau de dificuldade e que não apresentam uma função social imediata e clara tendem a desmotivar as crianças para realizá-las;
• organiza atividades diversificadas em sequências que possibilitem a retomada de passos já dados;
• prepara o espaço físico de modo que ele seja funcional, possibilite locomoções e explorações; qualquer mudança no espaço físico necessita ser comunicada e vivenciada pela criança que não enxerga para que ela possa reelaborar seu mapa mental do ambiente;

Cuida para que as crianças com necessidades educacionais especiais  possam ser ajudadas da forma mais conveniente no aprendizado de cuidar de si, o que inclui a aquisição de autonomia e o aprendizado de formas de assegurar sua segurança pessoal;
• estabelece rotinas diárias e regras claras para melhor orientar as crianças;
• estimula sua participação em atividades que envolvam diferentes linguagens e habilidades, como dança, canto, trabalhos manuais, desenho, etc., e promove-lhe variadas formas de contato com o meio externo. Quando trabalhamos com crianças surdas, devemos considerar que sua memória é principalmente visual, o que significa que elas terão maior facilidade de guardar elementos visuais. Portanto,se lhe oferecemos um objeto novo, devemos mostrá-lo e nomeá-lo, auxiliando-a a compreender seu significado;
• dá-lhe oportunidade de ter condições instrucionais diversificadas: trabalho em grupo, aprendizado cooperativo, uso de tecnologias, diferentes metodologias e diferentes estilos de aprendizagem. É comum que crianças com deficiência mental não atribuam importância a um texto escrito, outras o notam, mas não atribuem sentido à leitura.
O uso de ilustrações como apoio às produções escritas pode ajudar nessas situações desaparecendo à medida que o interesse pela língua escrita é estabelecido. Quando uma criança com deficiência física se encontrar na fase de construção da escrita, as linhas das folhas deverão ser feitas com pincel atômico e com espaço entre linhas, de acordo com o tamanho da letra que ela produz. À medida que adquire maior compreensão do espaço para a escrita e maior segurança no traçado, o espaço entre as linhas poderá ser diminuído;
• oferece-lhe, sempre que necessário, um material adaptado para ela ter um melhor desempenho. Algumas crianças com deficiência motora necessitam de adaptações no uso de lápis, pincéis, ou para fazer uso do teclado do computador. Recursos tecnológicos, equipamentos e jogos pedagógicos contribuem para que as situações de aprendizagem sejam mais agradáveis e motivadoras em um ambiente de cooperação e reconhecimento de diferenças. Por exemplo, para crianças com deficiência visual, utiliza-se o sorobã para trabalhar cálculo e operações matemáticas. Defende-se ainda
que a criança cega, desde os quatro anos, tenha acesso à máquina braile e inicie sua familiaridade com esse instrumento de escrita de modo prazeroso;
• garante o tempo que ela necessita para realizar cada atividade, recorrendo a
tarefas concretas e funcionais por meio de metodologias de ensino mais flexíveis e individualizadas, embora não especialmente diferentes das que são utilizadas com as outras crianças;
• realiza uma avaliação processual que acompanhe sua aprendizagem com base em suas capacidades e habilidades, e não em suas limitações, assim como para qualquer criança. Crianças com deficiência visual devem desenvolver a formação de hábitos e de postura, destreza tátil, sentido de orientação e reconhecimento de desenhos, dentre outras habilidades. As situações em que estas aquisições ocorrem devem ocorrer devem valorizar o comportamento exploratório, a estimulação dos sentidos ea participação ativa;
• estabelece contato frequente com as famílias para melhor coordenação de condutas, troca de experiências e de informações.
A Educação Inclusiva só se efetiva se os ambientes de aprendizagem forem
sensíveis às questões individuais e grupais, e onde as diferentes crianças possam ser atendidas em suas necessidades específicas de aprendizagens, sejam elas transitórias ou não, por meio da efetivação de respostas adequadas a cada situação.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A Prática Pedagógica no Berçário

A Prática Pedagógica no Berçário
"
tornam-se hábitos sobre os quais
a criança fundamenta a sua autonomia"
As pequenas atividades quotidianas
Tonucci

Maria Carmen Silveira Barbosa


As creches durante muitos anos foram espaços prioritariamente
de cuidados, de acolhimento e de guarda de crianças pequenas para
aquelas mães que precisavam trabalhar. Nas últimas décadas, este
papel foi sendo revisado tendo em consideração o direito das crianças
de terem um espaço coletivo de educação.
Para muitos bebês estar na creche é uma oportunidade de viver
com adultos e crianças, isto é com um grupo e com ele estar em um
ambiente social de aceitação, de confiança, de contato corporal
pensado na medida dos seus desejos e necessidades. É uma
possibilidade de adquirir novas experiências cognitivas e relacionais.
Pode-se afirmar que uma das experiências mais ricas e interessantes
da vida humana é o convívio, a amizade, enfim, a busca da vida em
comunidade. A creche é o primeiro ambiente de educação coletiva de
um ser humano.
Estar no berçário
O berçário tem um caráter complementar à educação das
famílias, portanto para realizar um bom trabalho, é essencial que os
educadores/professores abram espaços para a comunicação entre
escola e famílias. Para atender a complexidade do trabalho com as
crianças pequenas também é necessária a qualificação dos
professores.
O importante é que as crianças
cultura.
regras de convívio social, a integrar-se com outras crianças, a
trabalhar em grupos e a dividir a professora, os brinquedos e os
materiais, a cuidar das suas coisas (organizar, emprestar e
guardar).Os conteúdos versam sobre os conhecimentos significativos
para cada grupo social de acordo com: as características do universo
que os circunda, com a faixa etária das crianças, as suas experiências
anteriores e seus interesses e necessidades futuras. E as formas de
trabalhar devem priorizar as aprendizagens através de meios
criativos, participativos, dialógicos e dinâmicos.
vivam a vida dentro de umaA escola infantil é um lugar onde as crianças aprendem as
Alguns eixos do trabalho pedagógico
Para discutir a educação das crianças pequenas, podemos
seguir diferentes trilhas, pois muitas são as questões relacionadas
aos projetos educacionais para crianças bem pequenas. Porém neste
texto vamos enfatizar a importância das
linguagem e a brincadeira com os bebês.
principalmente em torno a estes eixos que se produz o início de uma
proposta educativa no berçário.
As
fontes fundamentais para a sua existência tanto física como mental. É
impossível para um bebê sobreviver sem o afeto, o gesto, o olhar de
um adulto disponível para cuidá-lo. Afinal a nossa condição humana
surge no modo como nos relacionamos uns com os outros e com o
mundo. Ao entrarmos em contato com outros seres humanos,
passamos de um modo de viver fundamentalmente biológico, para o
acolhimento em uma cultura, traduzidas em uma língua, em gestos,
toques. As relações estabelecidas através dos diálogos – corporais e
orais - fazem parte do processo que nos torna seres humanos ou
sujeitos com vontade, com capacidade de raciocínio e imaginação.
relações interpessoais, aPois acreditamos que érelações interpessoais são para as crianças pequenas
O olhar
As crianças pequenas relacionam-se intensamente através do olhar. É
preciso olhar para as crianças, sustentar o seu olhar, acompanhar os
diferentes olhares e ao mesmo tempo mostrar para estas crianças as
coisas bonitas do mundo. Muitas vezes acompanhando o olhar é
preciso que dê uma palavra ou faça uma expressão. O espaço onde
as crianças vivem parte do seu dia merece ser um ambiente físico e
social bonito e aconchegante, com variadas experiências visuais, mas
não um ambiente sobrecarregado de imagens, objetos, pinturas...
O abraço
O abraço é a melhor forma de demonstrar a aceitação corporal do
outro. As crianças pequenas precisam ser abraçadas várias vezes por
dia. Com afirma Mario Terena, para os indígenas brasileiros um dos
aspectos mais importantes na educação das crianças pequenas é
encostar o coração da criança no coração do adulto, isto é, o abraço.
”Não adianta presentes materiais, as crianças precisam sentir o
coração”. O contato corporal cria a confiança pois ele dá a entender
que se está em um espaço de mútua aceitação.
O Ritmo Corporal
Desde o útero, a criança pequena concilia o seu ritmo corporal com o
da sua mãe: o ritmo da respiração, dos batimentos cardíacos, os
movimentos, as vibrações da voz. Os sons de voz humana, dar
alimentos, acariciar, mexer, falar, aconchegar, cantar músicas todas
estas atividades trabalham com diferentes ritmos corporais. É preciso
reaprender e cantar as cantigas de ninar, as rimas, as conversas
secretas ao pé do ouvido e desde pequeninos, contar histórias para
as crianças.
O Balanço Corporal
As crianças criam balanços de diferentes formas. Balançam no colo,
no pé, se jogam para frente e para trás, fazem jogos audazes e jogos
suaves e precisam que o adulto lhes acolha com o corpo e lhes dê
segurança. As crianças pequenas que se movem com liberdade, sem
restrições, são as mais prudentes, já que aprendem a melhor
maneira de cair. O bebê muito protegido ou com pouca experiência
não conhece seus limites e capacidades. Um certo grau de risco é
necessário para sobreviver e crescer. A criança é competente por ela
mesma, curiosa, ativa e geralmente será rica em iniciativas e
interesses pelo seu entorno.
A luta do bebê para expressar-se e descobrir os seus limites vai durar
muito tempo. Ele precisa aprender a lidar com estes conflitos para
crescer seguro e forte. É preciso apoiar, não interferir. Conhecer a
individualidade dos bebês, pois cada um tem seu jeito de relacionarse
com o mundo.Os adultos necessitam aprender a controlar suas
ansiedades frente às tentativas e frustrações dos bebês. Não acelerar
o desenvolvimento, seguir o ritmo das aquisições motoras
possibilitando desafios e movimentos livres e jogos independentes.
Movimento
O
Os bebês constroem os seus territórios e suas identidades a partir
dos seus movimentos como o deslizar, engatinhar, sentar, ficar em
pé, caminhar. Estes modos de se movimentar faz com que as
crianças consigam ver o mundo a partir de diferentes posições. É
preciso deixá-las se movimentar, criar espaços seguros mas com
obstáculos/riscos para que elas possam constantemente andar, pular,
rastejar, cantar e dançar. Viver tocando e sendo tocado.
A criança pequena tem uma imensa necessidade de fazer
movimentos e é preciso que a creche ofereça uma série de atividades
que auxiliem a capacitar as crianças em seus movimentos. Como as
crianças de 0 a 3 anos estão com sua estrutura óssea incompleta
seus músculos precisam de um maior exercício diário para manter as
partes móveis em movimento e as partes estáticas em equilíbrio. No
início desta faixa etária o movimento e a cognição estão muito
próximos.
O Brincar e o Jogar
Brincar é uma atividade vivida sem propósitos e que realizamos de
maneira espontânea atendendo ao nosso desejo, ao nosso
emocionar, e isto acontece tanto na infância como na vida adulta. Os
jogos e brincadeiras envolvem aspectos naturais, culturais e sociais,
também motores, afetivos e cognitivos.
A brincadeira surge a partir das relações interpessoais e dos
elementos existentes nos ambientes. A criança entra
progressivamente na brincadeira do adulto, de quem ela é
inicialmente o brinquedo, o espectador ativo e, depois, o real
parceiro. Aos poucos ela é introduzida no espaço e no tempo
particulares do jogo. A brincadeira surge com um convite como: Faz
de Conta que eu sou.... Ou então com a expressão: Agora eu era o
herói... e o estabelecimento de algum tipo de regra que dura, no
mínimo, ao longo de toda a brincadeira.
Nas brincadeiras estão associadas
agem em direção a socialização das crianças, e o brinquedo é um
estímulo para a brincadeira. Os brinquedos e os espaços organizados
para a brincadeira orientam o tipo de jogo que pode vir a ser
construído: o tipo de canto, a disposição lógica dos móveis, a
diversificação dos papéis sugeridos, os materiais, possibilitam a
realização de atividades estereotipadas ou ricas em invenção ou
diversidade.
É importante para as crianças de 0 a 3 anos estarem num
ambiente aconchegante, tranqüilo e pleno de materiais que agucem a
sua curiosidade e ação.(mas não hiperestimulante). Nesta faixa etária
as crianças gostam de brinquedos como móbiles-coloridos, brilhantes,
e que façam barulho- chocalhos, brinquedos para empilhar, martelar,
puxar e empurrar, com guizos ou outros estímulos sonoros, objetos
flutuantes, fios com contas, trapézios para o berço, brinquedos
desmontáveis, copos ou caixas que encaixam umas nas outras,
blocos e argolas para empilhar, livros de papel, pano, plástico com
rimas, com ilustrações, brinquedos musicais, carrinhos, objetos para
caixa de areia, blocos de tamanho diferentes, bolas de diversos
tamanhos, utensílios de higiene de brinquedo, espelho, bonecas e
bonecos, fantasias, fantoches, bonecos de pelúcia, quebra-cabeças
simples, bonecos de dar corda puxando um fio, bonecos que se
movimentam quando se puxa um fio, carretel com linha grossa e
muitos outros... não muito pequenos e bem coloridos.
ações e ficções. As brincadeiras
Linguagem
Um dos grandes feitos entre os 0 e os 3 anos é o da aquisição da
linguagem oral. Para que esta ocorra é preciso que os educadores
acompanhem e intercedam no sentido de criar um ambiente cheio de
conversas, de pseudodiálogos. Inicialmente o educador fala sozinho,
relata o que está ocorrendo na sala, coloca em palavras os
sentimentos e as ações do grupo. É preciso muita conversa com os
bebês. Não apenas dar ordens, proibições, respostas impessoais, mas
conversas com conteúdo, com vocabulário rico, com informações,
explicações, opiniões, felicitações. Conversar e não apenas falar
mecanicamente. Escutar, falar, ouvir a resposta, responder. Explicar
os fatos que afetam a vida das crianças e a vida do grupo.
As crianças se comunicam desde cedo através da linguagem corporal
(gestos, sorriso, toques, choro, tossir, engasgos, espirros, gritos)
desde a mais tenra idade, mas o desenvolvimento da linguagem
propriamente dita aparece mais tarde. Ao observar um grupo de
crianças podemos verificar que de um estágio inicial onde não
utilizam palavras passam para o uso de sons, silabações, palavrasfrase
e finalmente a combinação de três ou mais palavras construindo
frases. E desde sempre cantam...
Enfim
O papel do educador do berçário é o de receber e conviver com
crianças bem pequenas auxiliando-as a construir a si e ao seu dia a
dia. É também sua função transmitir aquilo que conhece, isto é, as
tradições culturais do seu grupo de pertinência e, ao mesmo tempo,
abrir um novo mundo onde elas possam criar/produzir novas
experiências, novos conhecimentos.
Para isto o educador precisa dar-se conta que a educação dos
bebês acontece o tempo todo, nas atividades recorrentes do dia a
dia. Educar os bebês é colocar-se junto às crianças para fazer a vida
acontecer. De modo criativo, agradável, alegre ou silencioso, calmo.
Enriquecer a vida através dos seus detalhes: sentimentos, sensações,
pequenos momentos que muitas vezes nos passam despercebidas.
Ao professor cabe planejar, observar, registrar as atividades
realizadas e acompanhar o como as crianças investigam o mundo,
suas curiosidades, assombros, risos. Trabalhar com bebês exige uma
sólida formação nas múltiplas linguagens das crianças pequenas. E
como vimos com os eixos anunciados no início, eles não se sustentam
sozinhos. Misturam-se, pois educar os bebês só pode ser feito numa
perspectiva de mundo onde o conhecimento não é disciplinar.

sábado, 10 de setembro de 2011

Psicomotricidade

PSICOMOTRICIDADE

Atribui-se à educação psicomotora uma formação de base, indispensável a toda criança (normal ou com problemas), que responde a uma dupla finalidade: assegurar o desenvolvimento funcional, tendo em conta as possibilidades da criança, e ajudar sua afetividade a se expandir e equilibrar-se através do intercâmbio com o ambiente humano.

Seriam tantos os conceitos ligados a esta área do conhecimento quantas são as correntes teórico-práticas existentes. Tais conceitos, contudo, deixam-se enfeixar pela ênfase dada ao corpo – lugar do ato voluntário ou, se quisermos, do agir intencional. É possível, através de uma ação educativa a partir dos movimentos espontâneos da criança e das atitudes corporais, favorecer o início da formação de sua imagem corporal, o núcleo da personalidade.

Segundo Le Boulch, a educação psicomotora é um meio prático de ajudar a criança a dispor de uma imagem do "corpo operatório", a partir da qual poderá exercer sua disponibilidade. Esta conquista passa por vários estágios de equilíbrio, que correspondem aos estágios da evolução psicomotora.

Segundo Quirós, motricidade é a faculdade de realizar movimentos, e psicomotricidade , a educação de movimentos ou através de movimentos que procura melhor utilização das capacidades psíquicas.

Desta forma, podemos definir psicomotricidade como a educação do movimento com atuação sobre o intelecto*, numa relação entre pensamento e ação, englobando funções neurofisiológicas e psíquicas.

Como o comportamento físico da criança expressa, uma a uma, sua dificuldades intelectuais e emocionais, pode-se dizer que a psicomotricidade é a ciência do corpo e da mente. Ao vermos o corpo em movimento, percebemos a ação dos braços, pernas e músculos gerada pela ação da mente. É necessário, portanto, educar o movimento pela mente.

A psicomotricidade integra várias técnicas com as quais se pode trabalhar o corpo (todas as suas partes), relacionando-o com afetividade, o pensamento e o nível de inteligência. Ela enfoca a unidade da educação dos movimentos, ao mesmo tempo que põe em jogo as funções intelectuais. As primeiras evidências de um desenvolvimento mental normal são manifestações puramente motoras.

A psicomotricidade vai permitir que se estabeleça a noção de vazio ou ocupado. São os gestos do corpo que vão levar o indivíduo à consciência de seus limites e possibilidades. A coordenação psicomotora é uma qualidade diretamente ligada à expressão do corpo, porque todo movimento tem uma conotação psicológica de sensações. Nos movimentos, serão expressos sentimentos de prazer, frustração, desagrado, euforia, como dimensão de um estado emocional, reconstruindo, assim, uma memória afetiva desde os gestos iniciais da criança.

O PAPEL DO PROFESSOR:

Cabe ao professor conhecer as etapas do desenvolvimento psicomotor da criança, características das faixas etárias, necessidades e interesses, para melhor planejar a ação docente. Por isso, é de fundamental importância o professor desenvolver atividades sabendo a que servem, e não aleatoriamente, arrolando-as como necessárias ao domínio do esquema corporal, como se esta expressão significasse apenas uma coisa.

O desenvolvimento psicomotor tanto de crianças normais quanto de criança portadoras de distúrbios requer o auxilio constante do professor, através da estimulação em sala de aula e do encaminhamento, quando se fizer necessário.

O professor pode ajudar e muito, em todos os níveis, na estimulação do desenvolvimento cognitivo e para o desenvolvimento de aptidões e habilidades, na formação de atitudes através de uma relação afetiva saudável e estável (que crie uma atmosfera de segurança e bem-estar para a criança) e, sobretudo, respeitando e aceitando a criança do jeito que ela é.

A reeducação psicomotora é um processo, uma terapia programada que visa modificar o comportamento. Parte dessa atuação é privativa do técnico em psicomotricidade. No entanto, as atitudes do professor têm de estar relacionadas com a orientação especifica do profissional habilitado. É preciso mais do que vontade e boas intenções: é necessário intervir de forma adequada, no momento oportuno, com técnicas apropriadas.
Na área da educação, a psicomotricidade abrange um campo preventivo e ideal seria que todos os professores tivessem conhecimentos básicos do assunto.O educador tem que estar atento, para detectar quando o aluno têm dificuldade na aprendizagem e se esta disperso para então estimula-lo.

O professor antes de alfabetizar terá que mostrar a criança que ele precisa executar movimentos amplos, transportar objetos, exercitar movimentos de pinça com o polegar e o indicador. Ela necessita movimentar ao máximo os dedos, as articulações do braço, do pulso e das mãos, para perceber os tipos de pressão, de resistência, de temperatura e as formas dos objetos.

A ação educativa da escola consistirá em desenvolver a espontaneidade adaptada ao ambiente. Para isso é necessário que o professor tenha conhecimento do ritmo de desenvolvimento da criança e crie as condições para o seu progresso. O que só é possível num ambiente em que ela pode se beneficiar do contato com outras crianças de mesma idade, participando de atividades coletivas, alternadas com tarefas mais individuais.

O professor ao transmitir atividades lúdicas as crianças estará propiciando a mesma que ela crie uma personalidade e a maturação da imagem do corpo. Essas atividades, aliás adquirem um valor catártico* na medida em que permite à criança a liberação de certas tensões.

Mediante uma atitude não diretiva, que garanta uma certa liberdade, o educador permite à criança realizar sua experiência do corpo, indispensável no desenvolvimento das funções mentais e sociais. Desenvolvendo-se nesse clima, a criança vai adquirindo pouco a pouco confiança em si mesma e melhor conhecimento de suas possibilidades e limites, condições necessárias para uma boa relação com o mundo.

Os intercâmbios orais suscitados pela ação representam uma verdadeira linguagem social, muito importante de ser desenvolvida na fase pré-escolar. Tendo em conta as condições práticas nas quais trabalha e o conhecimento que tem das crianças, o professor deve imaginar situações que possibilitem esses intercâmbios orais.

É preciso também que o professor ajude a criança a afirmar sua própria lateralidade, permitindo-lhe realizar livremente suas experiências motoras. Nas primeiras atividades gráficas, não exercer nenhuma pressão na criança no sentido de incita-la a usar a mão direita, a fim de que a coordenação óculo-manual (aspecto particular do ajustamento motor global) corresponda, verdadeiramente, a uma auto-organização.

Na educação psicomotora o professor deve ter como inicial ensinar a criança a ficar sentada, adquirir boa postura, ouvir. Só depois de atingir esse objetivo é que ela será capaz de receber ordens, concentrar-se, usar a memória, executar tarefas do começo ao fim. O progresso pode ser lento, mas como em todas as outras áreas, o grande e principal objetivo é o de não deixar lacunas entre as etapas. Uma estimulação mal orientada confunde ainda mais, daí a importância de o educador conhecer e perceber a graduação necessária das técnicas a serem utilizadas.

A educação psicomotora na idade escolar deve ser antes de tudo uma experiência ativa de confrontação com o meio. A ajuda educativa proveniente dos pais e do meio escolar tem a finalidade não de ensinar a criança comportamentos motores, mas sim de permitir-lhe exercer sua função de ajustamento, individualmente ou com outras crianças.

Na pré-escola o papel do professor não é alfabetizar, mas estimular funções psicomotoras necessárias ao aprendizado formal. Através do seu conhecimento e sensibilidade, ele pode dosar teoria e prática de maneira gradual, combinando os estímulos adequados para cada tipo de aluno.

ESPAÇO TEMPORAL

Até os dois anos e meio, o espaço da criança é um espaço vivido dentro do qual ela se ajusta desenvolvendo seus movimentos coordenados em função de um objetivo a ser atingido. Entre os 3 e os 6 anos, a criança chega à representação dos elementos do espaço, descobrindo formas e dimensões. No final do período pré-escolar, a evolução da relação corpo-espaço resulta numa organização egocêntrica do universo. A criança descobriu sua dominância verbalizou-a e chega assim a um corpo orientado que lhe servirá de padrão para situar os objetos colocados no espaço circundante. A orientação dos objetos faz-se, então, em função da posição atual do corpo da criança. Esta estabilização possibilita a interiorização, que é um trampolim indispensável sem o qual a estruturação do espaço não se pode efetuar-se.

Atividades de orientação espaço temporal

Andar devagar até o fim da sala.

Andar depressa, voltando ao ponto de partida.

Andar devagar e depois correr uma mesma distância demarcada na quadra. Fazer os alunos perceberem o tempo despendido numa e na outra forma.

Bater bola e pular corda, devagar e depressa.

Correr, trepar, bater palmas, com ritmo, dentro de um espaço de tempo, em situações relacionadas com:

• deslocamentos de materiais: cadeiras, bancos, mesas, bolas, etc
• lançamentos de bolas, pequenas e grandes, em caixas de diversos tamanhos, cesta de basquete ou círculos desenhados no chão;
• saltos e transposição de obstáculos;
• marchas em equilíbrio (em barras, bancos, linhas, etc.)

PERCEPÇÃO CORPORAL

Consciência do próprio corpo, de suas partes, com movimentos corporais, das posturas e das atitudes. Habilidade de evocar e localizar as partes do corpo. Exemplo: localizar o ombro do coleguinha.

Não é simplesmente uma percepção, uma representação mental do nosso corpo, mas uma integração de vários gestalts, todos em contínua modificação. Formam o esquema corporal, além da noção do próprio corpo, a integração das noções de relação com o exterior em suas duas expressões de espaço e tempo, e a conexão com outras pessoas, através do contato corporal, da evolução do gesto e da linguagem.

É a comunicação consigo mesmo e com o meio. Uma boa formação corporal pressupõe boa evolução da motricidade, das percepções espaciais e temporais, bem como da afetividade.

A construção do esquema corporal (imagem, uso e controle do seu próprio corpo) se realiza normalmente de uma forma global no transcurso do desenvolvimento da criança, graças a seus movimentos, deslocamentos, ações, jogos, etc.

Atividades de percepção corporal

• Pular com os pés juntos.
• Pular alternando os pés.
• Mover a cabeça.
• Mostrar os olhos, nariz, testa, bochechas, boca, queixo,
• Separar os braços, as pernas, os dedos.

EQUILIBRIO

É o cerebelo que ajusta permanentemente o tônus postural em combinação com o desenvolvimento do ato moto. Ele fixa estas reações sob forma de automatismos posturais inconscientes, tradução das experiências vividas individualmente. Estas atitudes de referência estabilizadas, verdadeiros esquemas posturais inconscientes, são no entanto constantemente adaptadas às condições atuais de desenvolvimento da ação, graças à atuação das reações de equilibração. O desenpenho normal da função de equilibração pode ser perturbado por causas psicológicas. Todo medo ocasiona reações de enrijecimento que comprometem as reações reflexas de equilibração. Manutenção do corpo em uma mesma posição durante um tempo determinado. Pode ser estático ou dinâmico.

Exemplo: brinquedo de estátua, marcha nos calcanhares, permanência em pé, sentado ou deitado.

Os exercícios a seguir, graças a uma atitude compreensiva e de ajuda por parte do educador, devem levar a criança a adquirir confiança e segurança, essenciais ao desempenho eficaz dos mecanismos inconscientes.

• Manter-se em equilíbrio sobre uma bola de tamanho grande;
• Conservando a mesma postura,
• Variando de postura
• Sobre dois pés ou apenas um.
Manter-se em equilíbrio sobre a metade de um tronco:
• Apoiado na parte plana
• Apoiado na parte convexa
Manter-se em equilíbrio sobre tijolos superpostos:
• Manter-se em equilíbrio sobre o banco sueco invertido.
• Manter-se em equilíbrio sobre um plano inclinado:
• de frente para o vazio
• de costas para o vazio

LATERALIDADE

Predominância do uso de todos os órgãos pares. Pode ser direita ou esquerda. Deve ser observado o pé, a mão e o olho. No primeiro ano de vida não há preferência por nenhum lado. No segundo ano de vida ela continua usando ambas as mãos, mas gradativamente fixa a preferência por uma delas. Com dois anos completos quase todas as crianças já definiram sua lateralidade, mesmo que depois apareçam breves períodos de uso da outra mão. Finalmente, com seis anos está completa a definição. Também há uma nítida preferência por um dos olhos, por um dos pés, isto podendo ser no destro uma dominação dos três instintos.

Exercícios de lateralidade

• Com a mão dominante; pedir que a criança pegue um objeto qualquer. Observar a mão que ela irá usar.
• Com o pé dominante; solicitar que a criança chute uma bola. Observar qual a lateralidade do pé usado.
• Com o olho dominante; solicitar que a criança espie em um monóculo. Observar o olho dominante.
• Andar pela sala jogando uma bola ou bexiga, de uma mão para a outra.
• Colocar uma criança no centro. Pedir a outra criança que fique à direita dela; outra atrás; outra à frente e outra à esquerda. Batendo palmas, as crianças mudam de posição e dizem a sua nova posição.

RITMO

Diz respeito à movimentação própria de cada um. Ritmo lento, moderado, acelerado, cadenciado. Noção de duração e sucessão, no diz respeito à percepção dos sons no tempo. A falta de habilidade rítmica pode causar uma leitura lenta, silabada, com pontuação e entonação inadequadas.

Na parte gráfica, as dificuldades de ritmo contribuem para que a criança escreva duas ou mais palavras unidas, adicione letras nas palavras ou omita letras e sílabas.

Exercícios de ritmo

• Permanecer na ponta dos pés, enquanto se conta até dez.
• Levantar e baixar na ponta dos pés.
• Andar sobre linhas marcadas no chão: retas, quebradas, curvas, sinuosas, círculos, mistas.
• Bater palmas no ritmo do professor (rápido, lento, forte, fraco).
• Bater bola com a mão seguindo o ritmo marcado pelo professor.

COORDENAÇÃO ÓCULO MANUAL

O arremesso tem um interesse educativo considerável, sob o ponto de vista do desenvolvimento global da coordenação. O que vai nos interessar, principalmente no curso preparatório e no curso elementar, é o papel que esta atividade pode desempenhar na ligação entre o campo visual e a motricidade fina da mão e dos dedos: coordenação óculo-manual.

O parentesco com o mecanismo que atuam no grafismo não pode escapar ao professor. Na mira, a operação que consiste em traçar uma linha de um ponto a outro envolve a entrada em jogo das regulações proprioceptivas ao nível dos membros superiores, de mesmo tipo das que atuam no exercício de mira que consiste em agarrar uma bola no espaço. Na coordenação entre espaço cinestésico e espaço visual, o arremessar e o apanhar são atividades maiores, de grande alcance educativo.

Exercícios de coordenação óculo manual

• Os alunos trabalham em dupla e têm à sua disposição um aro para cada um e um quadrado de linóleo. Uma bola grande, uma bolinha leve e uma bola pesada para dois.
• Posicionar os alunos dentro dos aros colocados no chão a pequena distância. Eles trocam passes com bolas, de todas as maneiras possíveis, sem deixa-las cair. Se, numa duração determinada, as bolas tiverem caído apenas 3 vezes, os alunos têm o direito de trabalhar em distâncias maiores.
• Dois a dois, um ao lado do outro, caminhando ou correndo ao redor da quadra , as crianças devem passar a bola umas às outras. Efetuar o exercício primeiro em um sentido; a seguir, inverte-lo. Eles devem encontrar os diferentes modos de arremesso que já foram feitos sem sair do lugar.
• Jogar a bola com uma das mãos; pegá-la de volta com a outra. Passá-la para a mão de arremesso e executar um circuito contínuo e regular.
• Passes em toque de vôlei. Os alunos ficam frente a frente e passam a bola um ao outro sem controle, apenas por toque.

COORDENAÇÃO GLOBAL (GROSSA)

Realização de grandes movimentos com todo o corpo, envolvendo as grandes massas musculares, havendo harmonia nos deslocamentos. Não a precisão nos movimentos, embora seja importante a coordenação perfeita dos movimentos.

Exemplo: marchar, batendo palmas, correr, saltar, etc.

FINA

É a capacidade para realizar movimentos específicos, usando os pequenos músculos, afim de atingir a execução bem sucedida da habilidade. Requer um ato de grande precisão no movimento. Movimentos manuais em que coordenação e a precisão são essenciais.

Exemplo: tocar piano, escrever, modelagem com massinhas, recortar, colar, trabalhos com objetos pequenos como pinças, alicates de unha.

AGILIDADE
São todas as atividades que exigem movimentos rápidos e precisos.

Exercícios de Agilidade:

• Fazer uma fila, colocar cones enfileirados e pedir que alunos corram em velocidade esquivando, dos cones.
• Aula de queimada.
• Os alunos com bolas de plástico no meio da quadra, vão arremessar as bolas num aluno que estará no gol, este deverá livrar-se das bolas que serão arremessadas.

TONICIDADE

É o ato de tonificar-se, fortalecer-se, robustecer. É a qualidade, estado ou condição de tônico. Consideramos que a tonicidade é a força muscular que o aluno/criança vai adquirindo devido a atividades realizadas no dia a dia.

Psicomotricidade

Introdução
Este trabalho tem como tema a psicomotricidade que age de forma atuante e com uma visão de ciência e técnica, tendo como foco a Educação Física a partir de uma visão mais ampla em que o homem cada vez mais deixa de ser percebido como um ser essencialmente biológico para ser concebido, segundo uma visão mais abrangente, na qual se considera os processos sociais, históricos e culturais.
O ser humano é um complexo de emoções e ações propiciadas por meio contato corporal nas atividades psicomotoras que também favorece o desenvolvimento afetivo entre as pessoas, o contato físico, as emoções e ações.
Com a educação psicomotora a educação física passa a ter como objetivo principal incentivar a prática do movimento em todas as etapas da vida de uma criança.
Psicomotricidade é uma disciplina educativa, reeducativa e terapêutica, ou seja, a psicomotricidade quer destacar a relação existente entre a motricidade, a mente e a afetividade e facilitar a abordagem global da criança por meio de uma técnica. A psicomotricidade contribui de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal o que facilitará a orientação espacial.

1. ÁREAS DE ATUAÇÃO DA PSICOMOTRICIDADE
Educação Psicomotora :
É a ação educativa baseada e fundamentada no movimento natural consciente e espontâneo com a finalidade de normalizar, completar ou aperfeiçoar a conduta global da criança.
Reeducação Psicomotora:
Abrange sujeitos desde a infância a idade adulta. Pode ser desenvolvida tanto em caráter profilático quanto terapêutico.
Terapia Psicomotora :
Realizada através de uma programação de exercícios que envolvem atividades motoras, viso-motoras e emocionais. O trabalho visa melhorar o desenvolvimento corporal da criança, bem como a aprendizagem, afetividade, social, tornando-a estruturada para que possa se sentir segura e feliz.

2. ASPECTOS TRABALHADOS NA PSICOMOTRICIDADE
Qualidade física: força, flexibilidade, agilidade, velocidade, coordenação motora, equilíbrio, noções de espaço e tempo e lateralidade.
Aspecto afetivo e social: socialização e desenvolvimento de traços de personalidade como organização, disciplina, responsabilidade, coragem e solidariedade.
Características cognitivas: capacidade de análise e desenvolvimento de memória.

ESTRUTURAS PSICOMOTORAS DE BASE
Locomoção: Quando nos deslocamos de um lugar ao outro.
Exemplo de atividade: macaquinho mandou.
Manipulação: Habilidade de manuseio.
Exemplo de atividade: cobra cega.
Tono Corporal: Ajustamento da postura.
Exemplo de atividade: dançar com a bola na testa.
Lateralidade: Noção de direita e esquerda, é importante para a orientação espacial.
Exemplo de atividade: brinquedo cantado rock pop
Coord. Fina: Quando se trabalha com as extremidades dos segmentos.
Exemplo de atividade: bola de gude, nariz de ferro.
Coord. Grossa: Quando se trabalha com a totalidade das mãos ou do corpo.
Exemplo de atividade: queimado.
Coord. da dinâmica geral: É a atuação conjunta do sistema nervoso central e da musculatura esquelética, na execução do movimento. Temos a coordenação motora ampla e seletiva.
Exemplo de atividade: carniça.
Equilíbrio: É a capacidade de manter-se sobre uma base, pode ser estático e dinâmico.
Exemplo de atividade: amarelinha.
Esquema Corporal: é o conhecimento que temos do corpo em movimento ou em posição estática, em relação aos objetos e o espaço que o cerca. É através do desenvolvimento do esquema corporal que a criança toma consciência de seu corpo e das possibilidades de expressar-se por meio desse corpo. Exemplo de atividade: raposa que gostava de comer capim.
Compartimentos do esquema corporal:
  • Auto –imagem
  • Orientação espaço temporal
  • Coordenação óculo-segmentar
  • Direcionalidade
  • Miraocular

Conclusão
Concluímos que a psicomotricidade é a relação entre o pensamento e a ação, envolvendo a emoção. A psicomotricidade favorece a criança uma relação consigo mesma, com o outro e com o mundo que a cerca, possibilitando-a um melhor conhecimento do seu corpo e de suas possibilidades.
Pode-se afirmar então, que a Educação Física, através de atividades afetivas, psicomotoras e sócio-psicomotoras, constitui-se num fator de equilíbrio na vida das pessoas, expresso na interação entre o espírito e o corpo, a afetividade e a energia, o indivíduo e o grupo promovendo a totalidade do ser humano.

Atividades de Coordenação motora

 


Atribui-se à educação psicomotora uma formação de base, indispensável a toda criança (normal ou com problemas), que responde a uma dupla finalidade: assegurar o desenvolvimento funcional, tendo em conta as possibilidades da criança, e ajudar sua afetividade a se expandir e equilibrar-se através do intercâmbio com o ambiente humano.

Seriam tantos os conceitos ligados a esta área do conhecimento quantas são as correntes teórico-práticas existentes. Tais conceitos, contudo, deixam-se enfeixar pela ênfase dada ao corpo lugar do ato voluntário ou, se quisermos, do agir intencional. É possível, através de uma ação educativa a partir dos movimentos espontâneos da criança e das atitudes corporais, favorecer o início da formação de sua imagem corporal, o núcleo da personalidade.

Segundo Le Boulch, a educação psicomotora é um meio prático de ajudar a criança a dispor de uma imagem do "corpo operatório", a partir da qual poderá exercer sua disponibilidade. Esta conquista passa por vários estágios de equilíbrio, que correspondem aos estágios da evolução psicomotora.

Segundo Quirós, motricidade é a faculdade de realizar movimentos, e psicomotricidade , a educação de movimentos ou através de movimentos que procura melhor utilização das capacidades psíquicas.

Desta forma, podemos definir psicomotricidade como a educação do movimento com atuação sobre o intelecto*, numa relação entre pensamento e ação, englobando funções neurofisiológicas e psíquicas.

Como o comportamento físico da criança expressa, uma a uma, sua dificuldades intelectuais e emocionais, pode-se dizer que a psicomotricidade é a ciência do corpo e da mente. Ao vermos o corpo em movimento, percebemos a ação dos braços, pernas e músculos gerada pela ação da mente. É necessário, portanto, educar o movimento pela mente.

A psicomotricidade integra várias técnicas com as quais se pode trabalhar o corpo (todas as suas partes), relacionando-o com afetividade, o pensamento e o nível de inteligência. Ela enfoca a unidade da educação dos movimentos, ao mesmo tempo que põe em jogo as funções intelectuais. As primeiras evidências de um desenvolvimento mental normal são manifestações puramente motoras.

A psicomotricidade vai permitir que se estabeleça a noção de vazio ou ocupado. São os gestos do corpo que vão levar o indivíduo à consciência de seus limites e possibilidades. A coordenação psicomotora é uma qualidade diretamente ligada à expressão do corpo, porque todo movimento tem uma conotação psicológica de sensações. Nos movimentos, serão expressos sentimentos de prazer, frustração, desagrado, euforia, como dimensão de um estado emocional, reconstruindo, assim, uma memória afetiva desde os gestos iniciais da criança.

COORDENAÇÃO GLOBAL (GROSSA)

Realização de grandes movimentos com todo o corpo, envolvendo as grandes massas musculares, havendo harmonia nos deslocamentos. Não a precisão nos movimentos, embora seja importante a coordenação perfeita dos movimentos.

Exemplo: marchar, batendo palmas, correr, saltar, etc.

COORDENAÇÃO MOTORA FINA

É a capacidade para realizar movimentos específicos, usando os pequenos músculos, afim de atingir a execução bem sucedida da habilidade. Requer um ato de grande precisão no movimento. Movimentos manuais em que coordenação e a precisão são essenciais.

Exemplo: tocar piano, escrever, modelagem com massinhas, recortar, colar, trabalhos com objetos pequenos como pinças, alicates de unha.
(Texto de: Lindací A. de S. Scagnolato)

Exemplos de Atividades:























Fonte do texto: http://espacoeducar-liza.blogspot.com/2009/02/atividades-de-coordenacao-motora.html#ixzz1Xa0e55qu

Subsídios para ação pedagógica no cotidiano escolar inclusivo


Magalis Bésser Dorneles SchneiderEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Introdução

A educação na perspectiva escolar é uma questão de direitos humanos, e os indivíduos com deficiências devem fazer parte das escolas, as quais devem modificar seu funcionamento para incluir todos os alunos. Esta é a mensagem que foi claramente transmitida pela Declaração de Salamanca/Espanha(1994,Conferência Mundial Sobre Educação Especial, UNESCO) em defesa de uma sociedade para todos partindo do princípio fundamental de que todas as pessoas devem aprender juntos, independente de quaisquer dificuldades ou diferenças que possam ter.

A política de inclusão dos alunos na rede regular de ensino que apresentam necessidades educacionais especiais, não consiste somente na permanência física desses alunos, mas o propósito de rever concepções e paradigmas, respeitando e valorizando a diversidade desses alunos, exigindo assim que a escola defina a responsabilidade criando espaço inclusivos. Dessa forma, a inclusão significa que não é o aluno que se molda ou se adapta à escola, mas a escola consciente de sua função, coloca-se a disposição do aluno.

As escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas dificuldades de seus alunos, acomodando os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade para todos mediante currículos apropriados, modificações organizacionais, estratégias de ensino, recursos e parcerias com suas comunidades. A inclusão, na perspectiva de um ensino de qualidade para todos, exige da escola brasileira novos posicionamentos que implica num esforço de atualização e reestruturação das condições atuais, para que o ensino se modernize e para que os professores se aperfeiçoem, adequando as ações pedagógicas à diversidade dos aprendizes.

A escola inclusiva é aquela que acomoda todos os alunos independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, lingüísticas ou outras, sendo o principal desafio desenvolver uma pedagogia centrada no aluno, uma pedagogia capaz de educar e incluir além dos alunos que apresentem necessidades educacionais especiais , aquelas que apresentam dificuldades temporárias ou permanentes na escola, as que estejam repetindo anos escolares, as que sejam forçadas a trabalhar, as que vivem nas ruas, as que vivem em extrema pobreza, as que são vítimas de abusos, as que estão fora da escola, as que apresentam altas habilidade/superdotação, pois a inclusão não aplica-se apenas aos alunos que apresentam alguma deficiência.

Portanto, este artigo pretende apresentar subsídios para uma a ação pedagógica no cotidiano escolar inclusivo, pois percebi que a inclusão tem causado um certo impacto no meio escolar e com isso surgem muitas dúvidas quanto as ações pedagógicas inclusivas. Abordarei primeiramente, os elementos necessários para que um sistema escolar seja inclusivo e depois apresentarei o suporte necessário para a ação pedagógica inclusiva do professor , as adaptações curriculares.


SISTEMA ESCOLAR INCLUSIVO

“As escolas inclusivas propõem um modo de se constituir o sistema educacional que considera as necessidades de todos os alunos e que é estruturado em função dessas necessidades. A inclusão causa uma mudança na perspectiva educacional, pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola, mas apoia a todos: professores, alunos, pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na corrente educativa geral.”(MANTOAN,1997,p.121)
O desenvolvimento das escolas inclusivas, capazes de sustentar recursos educativos com sucesso para todos os alunos, passa necessariamente pela definição de uma ação educativa diferenciada dos mais variados contextos. E para que uma gestão seja diferenciada, com ações pedagógicas inclusivas é preciso que a escola estabeleça uma filosofia baseada nos princípios democráticos e igualitários de inclusão, de inserção e a provisão de uma educação de qualidade para todos os alunos.
Para uma escola ser Inclusiva significa primeiramente, acreditar no princípio de que todas as crianças podem aprender e o diretor deverá proporcionar a todas as crianças acesso igualitário a um currículo básico, rico e uma instrução de qualidade. Seguem-se algumas estratégias para inclusão no cotidiano escolar:
1. Promover objetivando práticas mais cooperativas e menos competitivas nas sala de aulas e na escola;
2. Estabelecer rotinas na sala de aula e na escola em que todos recebam apoio necessário para participarem de forma igual e plena;
3. Garantir que toda as atividades da sala de aula tenham acomodações e a participação de todos ativamente, inclusive daqueles que apresentam necessidades educacionais especiais;
4. Infundir valores positivos no sistema escolar de respeito, solidariedade, cooperação etc.
5. É preciso desenvolver rede de apoio, sendo um grupo de pessoas que reúnem-se para debater, podendo ser constituída por alunos, diretores, pais, professores, psicólogos, terapeutas e supervisores para resolverem problemas, trocarem idéias, métodos, técnicas e atividades, com a finalidade de ajudar não somente aos alunos, mas aos professores para que possam ser bem sucedidos em seus papéis.;
6. Desenvolver uma assistência técnica organizada e contínua que deve incluir:
· os funcionários especializados para atuarem como consultores e facilitadores;
· Uma biblioteca prontamente acessível com materiais atualizados, recursos em vídeo e áudio que enfoquem a reforma da escola e as práticas educativas inclusivas;
· Um plano abrangente, condizente e contínuo de formação em serviço;
· Oportunidades para educadores que apoiam os alunos a reunirem-se para tratarem de questões comuns e assim ajudarem-se mutuamente no desenvolvimento criativo de novas formas de aprendizagens;
· Oportunidades para os professores aumentarem e aperfeiçoarem suas habilidades, observando, conversando e moldando suas práticas com colegas com mais experiência no apoio aos alunos no regular;
· Oportunidades para educadores novos em práticas inclusivas de visitarem outras escolas e distritos, que tenham experiências e implementação novas na educação inclusiva em conjunto com esforços de reformas da escola.

7. Os educadores devem desenvolver a dimensão da flexibilidade para responderem aos desafios de apoiarem os alunos com dificuldades para aprender na participação das atividades da escola, com o compromisso de fazer o ensino inclusivo acontecer, com espontaneidade e a coragem de assumirem os riscos, trabalhando em equipes, desenvolvendo novas habilidades e promovendo uma educação de qualidade a todos os alunos;
8. Examinar e adotar várias abordagens de ensino, para trabalhar com alunos com diferentes níveis de desempenho, reavaliando as práticas e determinando as melhores maneiras possíveis de promover a aprendizagem ativa para os resultados educacionais desejáveis;
9. Comemorar os sucessos e aprender com os desafios, sendo importante que os sistemas escolares cultivem a capacidade dos membros do seu pessoal de pensar criativamente, pois assim respondem aos desafios que inevitavelmente surgem quando as novas oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento apresentam-se;
10. Os educadores estarem dispostos a romperem paradigmas e manterem-se em constante mudanças educacionais progressivas criando escolas inclusivas e com qualidades.

O sistema escolar para construir uma comunidades escolar inclusiva é preciso o planejamento e o desenvolvimento do currículo que conduza aos resultados esperados pelo Estado e pelos setores educacionais. Preparar equipe para trabalhar de maneira cooperativa e compartilhar conhecimentos para melhorias para um progresso contínuo. Investimento em tecnologia para dar apoio, servindo como um importante dispositivo da comunicação para conectar a escola à comunidade e o ensino dos resultados esperados, além de grupos de professores atuando como planejadores, instrutores e avaliadores de programas que conduzam a uma ação pedagógica inclusiva.
A realização das ações pedagógicas inclusivas requer uma percepção do sistema escolar como um todo unificado, em vez de estruturas paralelas, separadas como uma para alunos regulares e outra para alunos com deficiência ou necessidades especiais. Os comportamentos inclusivos dentro da escola requer comprometimento e ações inclusivas, por isso partiremos para uma breve reflexão sobre essas práticas:
· A escola parte da premissa de que cada aluno tem o direito a freqüentar à sala de aula independente de sua deficiência;
· Está plenamente comprometida em desenvolver uma comunidade que se preocupe em fomentar o respeito mútuo e o apoio em equipe escolar, os pai e os alunos;
· A diretoria cria um ambiente de trabalho no qual os professores são apoiados;
· Os alunos com necessidades educacionais especiais são estimulados a participarem plenamente da escola, inclusive da atividades extracurriculares;
· Está preparada para modificar os sistemas de apoio para os alunos à medida que as suas necessidades mudem;
· Considera os pais uma parte plena da comunidade escolar, aceitando sugestões e a sua participação;
· Proporciona aos alunos com necessidades educacionais especiais um currículo escolar pleno e flexível sujeito a mudanças caso seja necessário.


SUPORTE PARA AÇÃO PEDAGÓGICA DO PROFESSOR:

· ADAPTAÇÕES CURRICULARES

As adaptações curriculares constituem as possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos e tem como objetivo subsidiar a ação dos professores. Constituem num conjunto de modificações que se realizam nos objetivos, conteúdos ,critérios, procedimentos de avaliações, atividades, metodologias para atender as diferenças individuais dos alunos.
Essas adaptações visa promover o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, tendo como referência a elaboração do projeto pedagógico e a implementação de práticas inclusivas no sistema escolar e essas adaptações pressupõem-se que se realize quando necessário, para torná-lo apropriado às peculiaridades dos alunos com necessidades especiais. Nessas circunstâncias, as adaptações curriculares implicam a planificação pedagógica e a ações docentes fundamentadas em critérios que definem:
· Como e quando aprender;
· que o aluno deve aprender;
· Que formas de organização do ensino são mais eficientes para o processo de aprendizagem;
· Como e quando avaliar o aluno.

As adaptações relativas aos objetivos e conteúdos dizem respeito:

· Priorização de áreas ou unidades de conteúdos que garantam funcionalidade e que sejam essenciais e instrumentais para as aprendizagens posteriores. Ex. habilidades de leitura e escrita, cálculos etc.
· Priorização de objetivos que enfatizam as capacidades e habilidades básicas de atenção, participação e adaptabilidade do aluno. Ex. desenvolvimento de habilidades sociais, de trabalho em equipe, de persistência na tarefa etc.
· À sequenciação pormenorizada de conteúdos que requeiram processos gradativos de à maior complexidade da tarefas, atendendo à seqüência de passos, à ordenação da aprendizagem etc.
· Ao reforço da aprendizagem e à retomada de determinados conteúdos para garantir o seu domínio e a sua consolidação;
· À eliminação de conteúdos menos relevantes, secundários para dar enfoque mais intensivo e essenciais no currículo.

As adaptações avaliativas dizem respeito:

· À seleção de técnicas e instrumentos utilizados para avaliar o aluno, modificando-os de modo a considerar, na consecução, a capacidade do aluno em relação ao proposto para os demais colegas;
· Não abandonar os objetivos definidos para o grupo, mas acrescentar aqueles objetivos complementares curriculares especificas que minimizam as dificuldades concernentes à deficiência do aluno.

As adaptações nos procedimentos didáticos e nas atividades de ensino-aprendizagem referem-se ao como ensinar os componentes curriculares. Dizem respeito a:

· Situar os alunos nos grupos com os quais possa trabalhar melhor;
· Propiciar o apoio físico, visual, verbal e gestual ao aluno impedido, temporária ou permanentemente, de modo a facilitar as atividades escolares e o processo avaliativo. O apoio pode ser oferecido pelo professor regente, pelo professor de sala de recursos, pelo professor itinerante ou pelos próprios colegas.

Algumas características curriculares facilitam o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos, dentre elas:

· Atinjam o mesmo grau de abstração ou de conhecimento, num tempo determinado;
· Desenvolvidas pelos demais colegas, embora não o façam com a mesma intensidade, em necessariamente de igual modo ou com a mesma ação e grau de abstração.

As adaptações curriculares não devem ser entendidas como exclusivamente individual ou uma decisão que envolve apenas o professor e o aluno, pois realizam-se em três níveis:

· No âmbito do projeto pedagógico(currículo escolar);
· No currículo desenvolvido na sala de aula;
· No nível individual.

Para que os alunos com necessidades educacionais especiais possam participar integralmente em um ambiente rico de oportunidades educacionais com resultados favoráveis, alguns aspectos precisam ser considerados, destacando-se entre eles:

· A preparação e dedicação da equipe educacional e dos professores;
· O apoio adequado e recursos especializados, quando forem necessários;
· As adaptações curriculares e de acesso ao currículo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Essas estratégias para a ação pedagógica no cotidiano escolar inclusivo são necessárias para que a escola responda não somente aos alunos que nela buscam saberes , mas aos desafios que são atribuídos no cumprimento da função formativa e de inclusão, tudo num processo democrático, reconhecendo e valorizando a diversidade, como um elemento enriquecedor do processo de ensino e aprendizagem. Portanto, incluir e garantir uma educação de qualidade para todos os alunos é uma questão de justiça e equidade social. A inclusão implica na reformulação de políticas educacionais e de implementação de projetos educacionais inclusivo, sendo o maior desafio estender a inclusão a um maior número de escolas, facilitando incluir todos os indivíduos em uma sociedade na qual a diversidade está se tornando mais norma do que exceção.
Por isso é preciso refletir sobre a formação dos educadores, pois essa formação não é para preparar alguém para a diversidade, mas para a inclusão, porque a inclusão não traz respostas pronta, não é uma multi habilitação para atender a todas as dificuldades possíveis na sala de aula, mas uma formação em que o educador irá olhar seu aluno de uma outra dimensão tendo assim acesso as peculiaridades desse aluno, entendendo e buscando o apoio necessário.
Finalizando, cabe refletirmos sobre que é ser igual ou diferente? Pois se olharmos em nossa volta, perceberemos que não existe ninguém igual, na natureza, no pensamento, nos comportamentos, nas ações etc. e as diferenças não são sinônimos de incapacidade ou doença, mas de equidade humana.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

STAINBACK, S. Inclusão: um guia para educadores. Porto Alegre: Artes Médicas Sul,1999.
MORGADO, J. A relação Pedagógica: Diferenciação e inclusão. Lisboa: Editorial Presença,1999.
_____________. Lei de Diretrizes Nacionais para a Educação Especial Na Educação Básica. Resolução CNE/CEB nº 2, de 11 de setembro de 2001.
SASSAKI, R. K. Inclusão. Rio de Janeiro: WVA, 1997.